Rapsódia da Juventude

O país está como todos sabemos – e os que não sabem é porque preferem passar ao lado – e a malta jovem como eu, anda preocupada, transtornada, desanimada. No fundo, andamos «bué» descrentes. E os motivos da descrença ainda são bastantes. Por isso, vamos por partes:

1. Situação socioeconómica. Vivemos dias difíceis, presos a uma factura tricolor que, provavelmente, será ainda a minha geração a pagar. Três cores, infelizmente todas elas associadas ao dinheiro que fomos gastando no passado, no tempo das vacas gordas, quando não passávamos sequer de meros projectos de existência futura. Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia. Três tons carregados de negro, em que os próprios nomes acabam por revelar uma preocupação que deveria preencher um plano secundário – money, money, money – somente ultrapassado pelos valores pelos quais a vida em sociedade se deveria reger. Teoria muito bonita, esta. Pagaremos a fava por não passar de uma teoria.

2. Os senhores da Europa. Foi em 1986 que Portugal entrou na, então, Comissão Económica Europeia, sendo que, a avaliar pela tirania de certa senhora alemã e de certo senhor francês, datará do segundo milénio o momento em que seremos expulsos a pontapé, sem grandes contemplações ou pestanejares. Infelizmente e mesmo considerando o esforço colossal a que estamos sujeitos, seremos eternamente formigas e cada vez menos competitivos para podermos suplicar quando chegar o golpe de misericórdia. Quer o plano de ajustamento se revele um estonteante sucesso ou um estrondoso fracasso, a imagem que passará a médio prazo, fora de portas, será a de um país com uma abstenção que não lembra nem ao menino Jesus nas últimas eleições legislativas e de uma governação pecadora que colocou a imagem da poderosa Europa em banho-maria. Se por ventura nos tentarmos internacionalizar – e não é difícil de prever que isso tenha que acontecer no futuro – seremos sempre vistos como “os pecadores”.

3. Acção social no Ensino Superior. É raro o dia na comunicação social portuguesa em que não se ouve falar do aumento generalizado do abandono escolar no Ensino Superior. Não deixa de ser irónico que uma geração que é sistematicamente apontada como a mais preparada ao nível das Tecnologias de Informação e Comunicação, com elevada facilidade de aprendizagem e de comunicação interpessoal, um forte sentido de liderança, se veja gradualmente a caminhar para um beco sem saída. Somos bons? Somos, mas pelos vistos custamos dinheiro. Os critérios para a atribuição das bolsas escolares são absolutamente escandalosos, tornando cada vez mais complicada a tarefa de uma família média em suportar todo o aparato financeiro que manter um filho na faculdade acarreta e sentenciando como impossível, para agregados de baixo rendimento, a concretização dos sonhos de quem  um dia quis ser alguém na vida.

4. Primeiro emprego.  Os números mais recentes apontam para uma taxa de desemprego na ordem dos 14,8%, valor sempre animador para uma população jovem que se pede (e alguns exigem) que seja empreendedora, inovadora e persistente. Não tenhamos a mais pequena dúvida quanto a quem vai safar isto um dia. Sou eu e os milhões de jovens por este país fora. Talvez herdaremos um fardo demasiado pesado de quem decidiu por nós enquanto éramos ainda ideias nas cabeças de quem nos trouxe ao mundo. Uma coisa eu posso garantir. Aqui, não é só a falar que a gente se entende. É urgente passar das palavras aos actos. Queremos incentivos, queremos apoios, queremos sentir que ainda vale a pena lutarmos por um país que aparenta nada nos vir a poder dar num futuro próximo. Ir para fora? Há de certeza quem nos queira. E se assim tiver que ser, então que peguemos o touro pelos cornos.

5. Sofrer para Vencer. Face ao retrato cinzento que acabo de descrever e que, de resto, não terá esboçado certamente grande sinal de estupefacção na cara de quem leu o que até aqui foi escrito, acredito ainda que o esforço, mais tarde ou mais cedo, trará os devidos resultados. Sem esquemas, sem mesquinhices, haveremos de levar por vencida uma batalha que, quando criada, não se afigurava como nossa. Mas afinal de contas, nada é nosso…até o ser.

Puro talento

Certa noite sonhei com uma rapariga. Loira. Olhos azuis. Ar irreverente, meio esgroviado. Cantava. Tocava guitarra. Transpirava música dos pés à cabeça. E mais importante que tudo, parecia não querer que eu acordasse desse sonho só para poder olhá-la e ouvi-la por mais uns momentos. Pensei ter sido apenas um sonho, mas rapidamente percebi que estava redondamente enganado. Vi isto. Ela existe.

Trabalho? Vocação? Talento? Chamem-lhe o que quiserem. Para mim, perfeita.

E agora chega de escrever como se isto fosse um diário de uma miúda de 14 anos que descobriu que os bebés não vêm de França nem existem cegonhas-tir.

P.S.: Não sonhei nada disto.

Operação_ 2ºSemestre

Inicia-se a referida operação (de carácter absolutamente agressivo, segundo a Organização Mundial de Saúde) no dia 13 às 8 da matina com Hidrologia e Recursos Hídricos. Os exames de inverno já lá vão, o que não implica que o frio tenha acompanhado a mesma tendência. De resto, avizinham-se muitos solos e rochas por explorar, batalhões de materiais de construção para saber aplicar, redes de transportes para satisfazer determinada procura, sistemas de informação geográfica para dominar e, as já clássicas, resistência de materiais e hidráulica. Tudo em pouco mais de cinco meses. Ao trigésimo dia do próximo mês de Junho poderei dizer Mission Accomplished ou The End. Veremos.

Txin txin!

“Odes”

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro 
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu ‘screvo.

 

Ricardo Reis - Tenho Mais Almas que Uma

Serei o único?

Passo a Passo

Avançar um passo

É caminhar no tempo,

Sem olhar para trás,

Sem perder o alento.

 

É desvanecer,

É perder a esperança,

Mas voltar a conquistar

A merecida confiança.

 

É ter a audácia de assumir

Fracassado o objectivo

De ter lutado por uma história

Outrora escrita num livro.

 

É olhar de frente

Todos os nossos medos.

É enfrentar de caras

Todos os enredos.

 

É ter a coragem de escrever

Uma nova página todos os dias.

É a nobreza de querer vencer

Lutas julgadas perdidas.

 

É reconhecer o erro

Mesmo que seja tarde.

É apontar o dedo

Num gesto de humildade.

 

É agradecer com gratidão

Quem nos trouxe ao mundo.

É partilhar emoção

A todo o segundo.

 

Passo a passo

Uma existência tem lugar.

As acções e as palavras

Para sempre irão ficar.

E vão 2

Dois anos de 24, sem nunca ter explorado aprofundadamente os mistérios que pairam por detrás deste número tão bonito. Talvez tenha sido um pretexto para criar um blogue, talvez um mero nome para um espaço de escrita quando as ideias escasseavam. Sinceramente, já não me lembro. Talvez tenham sido as duas.

Tenho andado ausente, eu bem sei! Época de exames a arder progressivamente com a minha pessoa. Haja alguma paciência para comigo. Verão que valerá a pena. Ou não. Mas vamos acreditar que sim!

P.S.: Não vou falar sobre os milhares de euros do Senhor Aníbal. Olha…já falei.

Agridoce

É na impotência que a vida nos confere que se centra o grande poder de podermos sentir, sem nunca controlar, certas coisas que ocorrem fora de nós e que torna tão diferentes os momentos pelos quais passamos. É impossível que um ano seja perfeito ou pior que péssimo. Assim como é muito pouco provável que haja anos marcadamente positivos ou negativos. O Zé povinho contenta-se com o que sempre teve – um ano agridoce. Eu não sou nada mais, nada menos, que esse Zé povinho. Venha mais um ano desses a que já me acostumei. Não querendo fazer figura de coitadinho – não, nada disso – a realidade, é que isto é que é um ano que se diga “normal”. Nem tudo corre mal, nem tudo corre bem. É esta a grande definição que tenho deste termo temporal e é isto que representa para mim – uma mistura, ora doce, ora amarga, de mim mesmo. Haja saúde.

Quebrando a minha linha de raciocínio, resta-me ser simpatico e exclamar entusiasticamente:

Feliz 2012 minha gente!