O tempo do Amanhã

A escala em que medimos o nosso tempo está a mudar. Cada vez mais deixaremos de dizer que estivemos neste ou naquele sítio num dado dia, num determinado mês, em certo ano. A expressão de amanhã tenderá a ser “há três atentados atrás, eu estava naquele lugar“.

Conseguir racionalizar o Amor é como pedir a Deus que exista.

20/01/17

Basta existirmos para que falem de nós.

29/02/16

Pessoas

Pessoas há que não falam.
Pensam e calam-se.
Pessoas há que fingem.
Sempre sentem, mas calam-se.

Pessoas há até que duvidam.
Perguntam-se e calam-se.
Pessoas há que dão tudo.
Pouco recebem, mas calam-se.

Pessoas há que não dão nada.
Tudo esperam e falam.
Pessoas há que querem mais além.
Sem saberem que apenas merecem desdém.

Pessoas há como estas ou outras.
E eu certamente uma delas.
Se destas ou outras quaisquer…
Interessará sequer saber?

30/07/16

Um poema.

“Desejo que você
Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Seja um debatedor de ideias. Lute pelo que você ama.”

Augusto Cury
(Brasil, 1958)

Uma fome de vida

Olá, olá, olá! Muitas semanas sem nada dizer e saudades imensas de algo aqui poder escrever. Trabalho, Faculdade e outras coisas de responsabilidade indiscutível têm-me privado de publicar neste espaço. O que não significa que não ande a aprontar coisas. E por aprontar, entenda-se, escrever, naturalmente! A minha assiduidade tem sido tão ínfima que deixei até passar uma data que não costumo deixar em branco, perdida nas efemeridades do tempo.

Falo, pois, dos 6 anos deste 24. Consigo, por norma, descortinar com uma antecedência razoável o momento a partir do qual algo no meu percurso deixa de fazer sentido. Todavia e, pese embora o enorme interregno que marcou os meus últimos meses nesta minha casa, continua a fazer um sentido absolutamente pleno nas profundezas da minha massa cinzenta, alimentar de palavras nem sempre muito doces esta minha fome. Uma fome de letras. Uma fome de ideias. Uma fome de criar. Uma fome de vida.

Um óptimo dois mil e dezasseis a todos!

1888-1935

 

Oitenta anos sobre o fim carnal do Maior de todo o sempre.

Fernando Pessoa
[Lisboa | 13/06/1888 – 30/11/1935]

Onde ficou a Democracia?

Começou hoje o debate do programa do Governo na passada semana empossado, sabendo-se de antemão que terá vida curta.

Um Governo cujo programa foi sufragado pelo povo, respondendo a uma questão simples e basilar na história democrática portuguesa. “Eleições para a Assembleia da República – Círculo Eleitoral de Lisboa”. Foi este o título que encabeçou o meu boletim de voto. Não me foi colocada, ao contrário das leituras de grande parte da sociedade civil, nenhuma questão como “Quem não quer ver governar Portugal?” ou, até mesmo, “Quem não quer ver representado na Assembleia da República?”.

Tenho guardado para mim aquilo que realmente penso acerca da subversão institucional que se aplicou ao acto eleitoral de 4 de Outubro. Ganhou uma coligação de partidos que, quer se goste ou não, foi a que expressou a maior percentagem do eleitorado português. Sem apelar a relatividades ou a absolutismos, foi esta a vontade popular e a que incontestavelmente totalizou mais votos.

Mas estas foram eleições de uma nova estirpe. Nasceu agora outro conceito de eleição. Um conceito que renuncia de forma cabal à Democracia e a todos os fundamentos que a civilização moderna fez erguer. Um conceito de eleição que se cria a partir de cinzas sedentas de poder de instituições já por si, por motivos vários, desacreditadas.

Fazem-se eleições porque sim. Vencer ou perder, não interessa. Quem ganha, não governará. Ergue-se a lógica de uma negatividade que, somada grão a grão, derruba o poder legislativo, num golpe legalmente constitucional mas ferido de morte na legitimidade política e na voz daqueles que resolveram ir às urnas expressar um sentido ideológico distinto.

Hoje, no primeiro dia de debate do ainda governo em funções, o secretário-geral do Partido Socialista resolveu não tecer uma única palavra no plenário. Um pouco à imagem do seu contínuo e profundo desrespeito por aquilo que é o dever do decisor político, quanto mais não seja exercendo o seu mandato de deputado que lhe fora conferido no acto eleitoral.

Contas feitas (e muitas outras por fazer nos próximos tempos), assistiremos amanhã à demissão de um Governo sufragado pelo povo, à revelia de um acordo refém de ideais revolucionários.

Questiono a veracidade de algumas notícias levadas a público, nomeadamente no que toca à descida total da sobretaxa em sede de IRS e ao aumento do salário mínimo nacional para cerca de 600 euros. Medidas que, anulando qualquer ironia, obviamente só poderão ser bem recebidas pelo povo português. No entanto, e fazendo um exercício algébrico simples, percebo também que o aumento do salário mínimo nacional actual na ordem dos 505 euros para os referidos 600 euros, resulta num brutal aumento de despesa do Estado. Se, por outro lado, as receitas não acomodarem estes incrementos nas despesas, não é difícil para mim lembrar-me de um certo dia. Estávamos em Abril de 2011.

E agora aqui estamos.

Muitos me sorriram no dia 4 de Outubro ao mesmo tempo que me diziam “Espero que tenhas votado bem.”

Votei, pois. Votei na Coligação Portugal à Frente, seguindo os meus ideais.

É que, de facto, é para mim isto a Democracia. Dar voz à vontade do povo. E isso não foi feito.

Talvez um poema d’Amor

Transpiras o que sentes.
Não é difícil ter medo do que antes não conhecias.
Não é difícil deslumbrares-te neste labirinto imerso de sonho e magia.
Não é, aliás, difícil estenderes-te nos teus campos, contemplando a Lua.
Essa Lua que te ouviu desde pequena, tímida, frágil, esperançosa.
Uma esperança de um dia glorioso de sol e cheiro a maresia.
Uma esperança de algo tão poderoso que te fizesse suplicar
Pelo regresso da estável monotonia com que encaravas cada dia da tua vida.
Essa tua vida tão miserável, tão cheia de nada, tão cheia de vazios.

Aqui está ela.
A tua oportunidade.
A porta aberta para toda a vontade do teu ser até agora adormecido.
Queres ser feliz? Eu também.
Sê feliz, mas sê-lo agora.
Qualquer porta, uma vez fechada, não deverá voltar a abrir-se.
Nada será como dantes e tu sabe-lo.
Faz com que essa porta nunca se feche.
Só de ti depende cada jornada do que te queres fazer ser.

Faz o que fazes de melhor. Sorri.
Podes controlar cada centímetro da expressão do teu rosto,
Mas não podes mascarar qualquer riso da tua alma.
É a tua alma que te distingue dos outros.
E ela sorri neste momento.
Anda à roda nas próprias voltas que dás dentro de ti.
E corre. E balanceia. E canta. Até parece que fala.
Nunca falaste tanto sozinha como nas últimas madrugadas.
Que raio se passa contigo? Já não te conheces!

Deixaste de medir o tempo e começaste a viver-te.
Tinha o teu dia vinte e quatro longas horas de espera.
Uma espera por mais um amontoado de banalismos enviesados
Por formalidades sufocantes da rotina e do que tinha que ser feito.
Duas dúzias de horas e parecem-te agora pequenas as mãos
Com que tentas agarrar todo o tempo que te alimenta.
Fruis de cada vento como se amanhã a possibilidade de viver se dissipasse.
Anseias por tudo o que poderás viver a partir deste ponto de viragem.
Todos os caminhos possíveis partem de ti sem que saibas onde se cruzam.

O mapa é outro.
Abruptamente novo, perigosamente imenso, emocionalmente vasto.
Esquece as três dimensões.
Essas ficam para o que podes controlar.
E o que podes controlar é já realmente pouco neste momento.
Abriste a tua porta sem perguntares ao que vem,
Pelo que vem, quando e para onde vai. E porquê tu.
É esta a parte que amplifica a perplexidade da tua razão.
A razão de não haver qualquer razão para teres sido tu.

Mas enquanto prestas contas à razão
E às mil e uma perguntas que teimas em querer fazer,
É essa câmara de sonhos que guardas no peito que te prende à vida.
À nova vida que agora tens e que – deverias estar certa –
Terás até tão simplesmente deixares de querê-lo.
E, nos entretantos do teu corpo, vai correndo o espesso sangue do teu Amor
Pelas veias da irracionalidade genuína que te compõe.
Com a tua curiosidade, desbravas cada esquina da rua, por ti, agora descoberta.
A ilusão de um mundo desconhecido ficou para trás. Tudo são agoras.

Almas que se cruzaram e uma história nascida…
Não estas linhas.
Nem qualquer poema por mim assinado.
Não estando certo se mesmo alguma destas palavras vale o carimbo de algo verdadeiramente grandioso.
Nem mesmo tudo o que pela minha mão tenha conhecido um pedaço de papel.
Mas sim, absoluta e irremediavelmente, tu.
És o meu mais belo poema d’Amor.
Se isto for poesia, é claro.
Mas se não for… Restas-me tu. (E isso eu sei.)

 

04/09/15