Melhores tempos virão

Infelizmente, parece que uma desgraça nunca vem só. Há umas semanas, escrevi sobre o avassalador sismo que atingiu o Haiti e cujo rasto de destruição foi bem visível por todos.

Hoje, é a ilha da Madeira que merece a minha palavra de pesar. Às vezes, fico seriamente a pensar por que raio coisas como esta acontecem… E sei que não há razões para isto pois assim como o mau acontece, também o bom vem de vez em quando dizer «olá». Porém, não é de pensamentos nem de emoções intelectualizadas que se explica o que aconteceu neste sábado. Perderam-se vidas, destruíram-se casas e infra-estruturas de todo o género e certamente muitos milhões serão necessários para devolver a normalidade possível à baixa do Funchal.

Por muito dinheiro que venha, por muitos fundos comunitários que sejam accionados, nada trará a vida daqueles que partiram. Ainda assim, é bom ver que ainda existe um pingo de solidariedade neste país que me viu nascer. Força Madeira.

Anúncios

Basta Querer!

Hoje, venho falar-vos de um filme que vi, “Invictus“.

Para muitos pode ser a simples história de um homem eleito Presidente da África do Sul, depois de ter passado um mau bocado durante trinta anos, vendo o mundo cá fora aos quadradinhos.

Para mim, é só mais um apontamento daquilo em que acredito desde há muito tempo. O que se passa cá dentro pode mover e ditar o que acontece fora de nós.

Basta ACREDITAR e QUERER!

Pensem nisso!

Vazio

É pouco o que dói mais
Que a razão perdida.
Nem mesmo a nobreza de tentar
Agarrar a causa proibida.

Sozinho percorro um caminho
Que não se deixa ver
E que na minha cegueira
Viu raízes para nascer.

Pior que não ter o discernimento
De distinguir o saudável do que nos pune,
É tê-lo e mesmo assim não querer saber
Se o sentimento permanece imune.

Há em mim um vazio de verde
Que não se deixa preencher
E que me delega no sonho
Uma esperança de viver.

Sou prisioneiro de mim mesmo.
Sei que fiz por o ser,
Mas o sonho é mais forte
Que a vontade de esquecer!

10/02/10

FP

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.

in «Cancioneiro» – Fernando Pessoa