De que

De que nos serve existir se não vivermos cada segundo com a certeza de que o momento último é inevitável e que a vida é efémera?

De que é feita afinal a vida senão de um sucessivo aglomerado de momentos que, de forma mais ou menos vincada, nos deixam memórias e marcas que persistem em nós e que impreterivelmente sobrevivem à custa da importância que lhes damos?

De que serve afinal arriscar se vivermos de algemas fechadas com a insegurança e o eterno medo de sofrer?

De que é feito o amor senão de uma visão mais sentida e menos racional sobre a pessoa que ambicionamos que esteja a nosso lado para nos sentirmos desejados e protegidos?

De que nos servem os bens materiais quando a outra parte da nossa essência permanece vazia?

De que somos feitos afinal senão de carne, osso e uma mente que procura em primeiro lugar agir em prol do seu próprio bem, relegando tudo o resto para segundo plano?

De que me serve a retórica se tudo o que aqui descrevo em algum momento me terá feito pensar?

Tantas perguntas. As dúvidas de e para sempre.

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Memórias

I’d like to make myself believe

That planet Earth turns slowly.

It’s hard to say that I’d

Rather stay awake when I’m asleep,

Cause everything is never as it seems.

«Fireflies» – Owl City