Cresci.

A vida, desde muito cedo, me ensinou a repensar o que digo e o que faço. Que parecendo indissociáveis um do outro, nem sempre o foram. Falar sempre foi muito fácil para mim, mais que não fosse no papel, onde tudo o que ali é dito, só lhe acede quem eu quero. Já com o Fazer foi diferente. Enquanto crianças, somos prisioneiros de uma ingenuidade típica de quem vê o mundo daquela forma meiga, onde as grandes acções praticadas pelas pessoas que nos rodeiam tendem a modelar-nos no sentido de progredirmos,  passo a passo, em direcção ao melhor caminho. E para mim, o melhor caminho não é aquele que somente felicidade me proporcionou. Não esqueço também as barreiras que se quiseram impor na minha viagem terrestre e as pessoas cujo mau carácter me pretenderam atingir da maneira mais vil. Até porque acredito piamente que só é possível crescer em comunhão com o que o mundo tem de bom e de mau. Fortalece-nos. Torna-nos mais aptos para vislumbrar a mensagem que está para lá de um gesto. E hoje, sei que já muito fiz. Não só por mim, mas também por aqueles que verdadeiramente me tiram o sono. Se Falar é muito fácil, Fazer pode nem sempre o ser. Principalmente se nos encostarmos à sombra da bananeira, onde acabamos por sentir a fria desilusão de quem sempre sonhou e nunca lutou. Não gosto de falar de desilusões quando não houve esforço. Só quem luta se pode desiludir. E é por isso que hoje sou quem sou. Lutei. Desiludi-me. Mais que isso, cresci. Não sou nem mais, nem menos, que toda a gente. Façamos mais por lutar realmente e o Sonho terá em si toda a beleza do Universo. No fim, vence o Carácter, vence a Garra. E é isso que perdura após a última respiração.

26/06/12