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Uma das agradáveis surpresas do universo da música, neste ano, para mim. Soldiers Of Jah Army (SOJA). Filosofias “pouco terra a terra”, mas que traduzem mensagens simples e valores que deveriam ser uma banalidade – e não uma raridade – neste mundo que habitamos. Primam por letras objectivas, de entre as quais destaco hoje esta, pela singularidade dos seus versos e pelo que pretendem transmitir neste momento em que a ouço.
Cuz girl, you really appeal to me…
But I see a serious lack of communication…
SOJA – «You Don’t Know Me»

De resto…
Missão Algarve, Parte I: cumprida, sem sobressaltos de maior.
Que cheguem os derradeiros momentos. E mais um ano às costas.

Paixões de relance a bordo do Intercidades

O Alentejo é das melhores coisas da vida. O calor do Algarve das melhores coisas da vida é. Poder aceder-lhe graças à existência do Intercidades é algo fantástico. É incrível o número de oportunidades que tive para me apaixonar em 3 horas e 11 minutos. E apaixonei-me realmente. Não falo só das miúdas giras que vi entrar na carruagem que me acolheu quando parado no Pinhal Novo. Falo do sabor plano a verde do Alentejo; da frescura do ar que me dá ímpeto para descansar os olhos, ainda que por breves instantes; das mil e uma línguas que fui ouvindo em conversas sussuradas pelos tímidos estrangeiros (intercaladas por música por mim seleccionada); do azul do mar algarvio… Afinal, uma viagem traz em si uma mão cheia de Viagens.

Direcções pouco nítidas

Não é claro o rasto pessoal que permanece aqui em baixo enquanto paramos para pensar como será sentida a nossa ausência quando chegar o nosso momento. Não são evidentes as pegadas que um dia reflectirão o que de bom doámos a quem, em algum instante, nos tocou. Enquanto portadores do síndrome da racionalidade no seu pleno sentido, carregamos connosco responsabilidades que outros seres nunca terão que assumir. Uma substancial parte do nosso carácter reside na frieza, por vezes dolorosa, com que encaramos o momento da decisão. Somos talhados para decidir com base em dois critérios de concepção muito simples. Regemo-nos por direcções. Por decisões e pelas suas consequências. Tudo está bem quando sabemos que uma determinada decisão vai resultar em certa consequência. Curiosamente, sempre gostei de correr riscos. Mas não de todo o espectro. Falo de riscos condensados numa gama muito restrita desse largo espectro. Muitos dirão que o risco não se coaduna com responsabilidade. Facto que posso garantir ser mentira. Existir é um risco. Viver é o efeito mais belo do risco que é existir. Todos estamos, de uma maneira ou de outra, sujeitos a desilusões e lágrimas que nos tatuem o rosto de tristeza. Posso fraquejar por em dado momento ter sido cercado pela mágoa, mas também posso sorrir por ter ousado ser feliz. Tudo tem o seu reverso. Todas as acções podem ser lidas à luz destes dois mundos tão diferentes. A direcção pela qual optámos seguir, pouco de nós pode dizer. Entrelaçamo-nos em direcções todos os dias. Mudamos de ideias a toda a hora. Além disso, é frequente não reconhecermos sequer essas direcções pois também elas se desvanecem no tempo e no espaço. Pesa o facto de em segundos de angústia não sabermos para onde nos virar. Aí, as direcções pouco nos servem pois estamos cegos de tudo o resto. Valha-nos a razão quando esta resolve acudir-nos. Mesmo que… nem sempre leve por vencida a batalha. Afinal, do outro lado encontra-se o seu fiel opositor que dá pelo nome de coração.

08/07/12

Momento


Pedes-me um momento

Agarras as palavras
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas
Levas a cidade
Solta me o cabelo
Perdes-te comigo
Porque o mundo é o momento

Pedro Abrunhosa – «Momento» 

 

Por hoje, é tudo.