É porque o tempo não volta atrás que não conseguimos seguir em frente.

25/05/13

Ceguei

Há um lado utópico e outro um tanto ou nada negro nisto que apelidamos de sonhos. Em boa verdade, sempre acreditei no poder do Sonho. Não conheço nada mais puro e genuíno que esse ímpeto que me permite sair do mundo real e partir para uma outra Dimensão, mesmo que por breves instantes. Conto pelos dedos de uma mão as vezes em que, conscientemente ou sem aparente noção de o ter feito, permaneci mais tempo do que o saudável nessa outra Atmosfera. E agora que quero pisar a Terra, retornando à vida de todos nós que respiramos, sou impedido por uma força anti-gravítica que me quer continuar a ver no altar da ilusão e do falso sorriso. Mais que parecer não ter pernas para conseguir voltar, mais que parecer ter perdido o discernimento em lugar que não me lembro, nessa viagem em que a minha estadia se prolongou bastante mais na tela do tempo do que eu alguma vez previ ou quis, pareço ter ficado sem olhos para ver a real verdade dos factos. Onde estou, onde fiquei, não sei. Simplesmente não consigo ver. De tanto querer ver, ceguei. Se tudo eram incertezas, há algo que é indiscutivelmente a mais fria das veracidades. A culpa só a mim me diz respeito. Se sonhei, assim o quis. Ninguém me disse para o fazer. Felizmente – ou infelizmente, já não sei – ainda ninguém consegue sonhar por mim. Quando se quer alimentar o sonho de alguém, restam somente duas opções. Jogar todas as cartas na mesa, sob pena de poder perder ou ganhar. Ou, no extremo oposto, um segundo cenário, triste e pouco sincero, com algum sabor a punhal na Câmara do Sentir, que só poderá ter um final. E todos sabemos qual é.

Consigo agora ver aquilo que em tempo útil não consegui. Tarde demais.