Os anjos não têm asas

Os anjos não têm asas. Não voam. Os anjos caminham entre nós. Têm pensamentos e vontades próprias. Os anjos não têm rosto definido. Não ostentam nenhuma auréola que os identifique como praticantes do bem. Os anjos não têm nome. Posso ser eu. Podes ser tu. Os anjos existem realmente. Apenas diferem na forma como os idealizamos. Os anjos não são aqueles que vestem de branco. São todos quantos queiram Lisboaolhar por alguém antes de olharem por si. Os anjos têm alma. A luz que transmitem não é mais que o contentamento de quem esteve presente quando alguém precisou. Os anjos não ouvem gritos de aflição. Sentem a dor alheia no silêncio. Os anjos não agem em prol de um “obrigado”. Sentem-se agradecidos pelas oportunidades em que puderam estar junto de alguém em momentos especiais. Os anjos não têm idade. A sua sabedoria é alimentada por todos aqueles que em algum instante lhes tocaram. Os anjos não vêem um mau carácter por trás de um gesto ruim. Vêem um ser Humano que erra num dia menos bom. Os anjos não apontam o dedo quando não são suficientemente humildes para chamarem a si a culpa do falhanço. Reconhecem não ser perfeitos e sabem pedir desculpa. Os anjos não anseiam nada. A sua felicidade é a surpresa. Os anjos não são vozes supremas, escolhedoras de bonitas palavras em instantes de mágoa. Fazem de cada palavra uma ocasião para um gesto. Os anjos não são quem apenas sabe sorrir. Também eles provam o sentimento da traição e da perda. Os anjos não guardam ressentimentos. Fortalecem a sua personalidade com as memórias dos seus dissabores. Os anjos respiram o mesmo ar de todos nós. Todos podemos ser anjos, ainda que não o saibamos. Os anjos são raros, mas existem. Resta-nos saber encontrá-los.

21/11/13

Quisera

Quisera ser eu o mistério
Que alimenta o teu olhar.
Quisera ser um lobo
Numa noite de luar.
Quisera
Quisera sentir furtivo
O perfume de quem és.
Quisera poder dar-te
O mundo a teus pés.

Quisera poder olhar-te
No tempo que nos pertence.
Quisera poder acordar-te
Nessa Noite que tudo vence.

 

16/11/13

Yaaaap.

“Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho nas suas proporções.”

“Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar.”

Francis Bacon (Inglaterra, 1561-1626)

Duas ideias que me ficaram na retina.