Quatro.

TCE049

Não deixa de ser um marco – e apenas isso – que o tempo se encarrega de assinalar ano após ano. Fora isto, é para mim sempre uma satisfação enorme ter podido escrever mais um ano de vida deste espaço que é, em primeira instância, meu e, em todos os momentos, vosso. Felizmente, tenho vindo a poder actualizar o 24 com maior regularidade em relação ao seu último ano e é minha forte vontade continuar a percorrer este trilho que conta, nesta altura, quatro anos.

Ilustro este momento com uma fotografia captada num instante da minha curta existência quando pouco menos tempo tinha de vida do que a idade que este blog hoje celebra. Loiro, gordo e de olhos azuis, continuo igual! :)

Do que me perdi

Existo, conheço, sinto.
Todos os dias um pouco mais.
Mas ainda não finto
Os pensamentos mais banais.

Nem eu quero fintar
A mais comum das sensações.
De contrário, quero captar
A vida dos demais corações.

Não se adivinha fácil.
De resto, nada o é.
De nada me vale ser hábil
Se não tenho qualquer fé.

Num instante que não sei
Tornei-me no que hoje sou.
Da esperança abdiquei.
Quase tudo me levou.

E agora que fito o horizonte,
Nega-me incerta luz a visão.
Talvez tema estar defronte
De quem um dia lhe soltou a mão.

17/01/14

Poesia em nome próprio

Comecei por escrever Poesia num instante vulgar do tempo em que nada de especial me aconteceu ou tão pouco por qualquer razão palpável ou minimamente entendível. Quis, não sabendo porquê, partir para uma busca por uma dimensão que desconhecia, aventurando-me por um mundo substancialmente diferente daquele com que sempre privei bem mais de perto e que dá pelo nome de Prosa.

No início, eram apenas frases que se combinavam de uma maneira pouco ordenada, aglutinadas numa estrutura inexistente que, no seu conjunto frásico extenso, não sabiam esbater qualquer conteúdo literário que merecesse ser alvo de reflexão ou análise. A mensagem era tímida e, não raras vezes, absolutamente vazia. Não sabia ainda o que era a mensagem e o que queria eu transmitir naquilo que escrevia. No fim de contas, importava apenas a concretização da rima.

Hoje, quando tudo tenho ainda para descobrir, estarei a faltar à verdade se disser saber que não deixei evoluir a minha noção do que é e deve ser a Poesia. Se é que esta deve ser alguma coisa. Acima de qualquer premissa, aprendi que a principal regra em Poesia é não haver regras, não haver barreiras. Não tem que haver um início e não tem que haver um fim. Tudo isto são instantes do tempo que, neste horizonte tão vasto, não têm que fazer necessariamente sentido.

Escrever Poesia é viajar por um mundo subversivo. Todas as armas podem ser postas à prova nesta batalha interior desde que, de forma mais marcada ou aparentemente invisível, em micro ou macroescala, um poema revele o mais ínfimo apontamento do ADN de quem, por fim, assina. Todas as demais ferramentas não são mais que meros acessórios. É para mim certo que a potencialidade do que é escrito em tudo depende do Querer e da capacidade de Sonhar de quem, ao papel, se ousa exprimir.

Creio ser impossível falar de uma satisfação inteira em Poesia. Nada me concede maior ambição do que a plena consciência de que nunca escreverei um poema que me traga o sentimento de que não poderia ter feito “melhor”. É a eterna insatisfação que me alimenta. Sei que ergui um poema quando, após uma primeira leitura do que escrevi, chego à perfeita certeza de que só eu o poderei decifrar em toda a sua amplitude, devolvendo a essas palavras os sentimentos que as fizeram nascer.

04/01/14