Breves silêncios

Fosse o silêncio da sua presença
A negação do tempo que vivi.
Nada mais poderia desejar
Que tudo desconhecer em si.

São breves os silêncios
Quando neles existe genuinidade,
Mas poucos são aqueles
Que se impõem sem leviandade.

Amo o silêncio
E amava poder percebê-lo.
De que me vale praticá-lo
Se não posso sê-lo?

Serei eu o silêncio
Ou será ele feito de mim?
Quero todas as respostas.
Quero segredar-lhe um fim.

 

26/06/14

A duas vozes

Todos os instantes me parecem reais
Quando fecho os olhos e penso.
De tudo me lembro,
De nada me esqueço.
Até que, por fim, adormeço.

Mas dormir é também pensar.
Num alheamento da realidade.
Por vezes, tão perto da verdade.
Múltiplos e incertos caminhos
Por onde vagueio. Por onde sonhar.

Nada para lá do eterno Sonho
Mais ambiciono decifrar
Que esta letal união
Entre o sentimento e a razão.
Soubesse eu conciliar…

Todo o segundo em que existo
Vive desta constante oposição.
E que difícil é fugir disto
Quando me entrego em vão
Nesta irracional vontade do coração!

 

25/06/14

 

 

Fragmentos de mim

Sou o tempo.
Sou o espaço.
Sou o momento
Sem compasso.

Sou a vida despida
De qualquer moral.
Sou a sina perdida
Num sonho fatal.

Sou o sorrir.
Sou o chorar.
Sou o ir
E o voltar.

Sou o olhar profundo
De quem sempre pensa.
Sou um filho do mundo,
Lutando por sua crença.

Sou a voz grave.
Sou o silêncio que fala.
Sou o vôo de uma ave
Que o vento não embala.

Sou tudo isto
Ou até mesmo nada.
Certezas? Apenas uma.
A minha vida passada.

 

09/06/14