James Bay

So come on let it go
Just let it be
Why don’t you be you
And I’ll be me

Everything’s that’s broke
Leave it to the breeze
Let the ashes fall
Forget about me

Come on let it go
Just let it be
Why don’t you be you
And I’ll be me

And I’ll be me

«Let It Go»

A minha mais recente descoberta no mundo musical.
From England to the World, James Bay.

Houve o tempo

Houve o tempo
Em que o sorriso chegava
E enquanto o tempo parava,
Louco bastante eu te dava
O quanto te amava.

Houve o tempo
Em que tive como certo
O teu olhar deserto
De quem quer por perto
Alguém sempre desperto.

Houve o tempo
Em que a distância feroz
De um medo atroz
De que ficássemos sós
Tomou posse de nós.

Houve o tempo
Perdido num espaço,
Sem dor nem cansaço,
Selado num abraço
De um amor a compasso.

Houve o tempo
De um Querer comum,
Sem motivo algum,
Em que eu e tu
Fomos metades de um.

Houve o tempo.
Todo este tempo.
Ido com o vento.
Morto sem cabimento.
E o teu olhar era o meu alento!

30/03/15

Junta as tuas lágrimas e deixa-te ir no rio.
Não sabes para onde vais, mas sempre saberás de onde vieste!

13/11/14

Leva-me, Noite

Leva-me, Noite.
Deixa-me só
No escuro que me liberta.
Sozinho, comigo,
Alheio ao resto
Do que a vida desperta.

Leva-me, Noite.
Quero-te inteira.
E o Luar
Que me prende,Bairro Alto
Que me tem o olhar,
Que me sente,
Que me faz respirar.

Leva-me, Noite.
Despeja-me ao acaso
Na surdez da negra floresta.
E tomarei o pulso mudo
A um perdido segundo
Que esta solidão me presta.

Leva-me, Noite.
Quero-te minha.
E o Luar
Que me desata
Os cordões da alma,
Na sua sensata
Tamanha calma
De quem não fala.

Antes que me leves, Noite,
Permite-me suplicar:

Quero é o Luar.
Tê-lo comigo
Nesta quebra de nada.
Poder admirá-lo
No contínuo todo
De uma esperança inacabada.

Leva-me, Noite.
Leva-me!

26/03/15

Grande.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo –
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

«O Amor em Visita»

Herberto Helder
(Funchal, 1930-2015)

 

Partiu hoje um dos grandes. Dos nossos grandes Portugueses.
Mas a sua Poesia aqui fica em nós. E era o que faltava se assim não fosse!

Silenciosas palavras

Silenciosas palavrasEscrevi há uns tempos, em tom de resposta a uma jovem – seguidora deste blogue e que, tal como eu, partilha a paixão da Escrita – a propósito da infinidade de vezes que passamos pelo doloroso período de silêncio em que as palavras nos escapam:

 “Nem para velhos, nem para novos, a vida foi e é fácil. Quem com o simples se contenta, contenta-se em existir. Ao que sabemos, não basta existir para chegar a qualquer porto de abrigo. Por isso, pensamos. E pensamos. E pensamos…

Quando as palavras nos faltam, falta-nos tudo. Tudo menos a suposição de querermos, mais desesperadamente que outra coisa qualquer, chegar à chave que possa abrir a porta pela qual pretendemos passar. Atingir as palavras, saber onde procurá-las, é nada mais, nada menos, que o eterno desafio de quem ao papel se ousa exprimir.

Se hoje não fizeste chegar a tua alma às palavras – ou as palavras à tua alma, dependendo da direcção pela qual sopra o teu “eu” poético – será amanhã ou depois. Cedo ou tarde, acabarás sempre por pensar e agarrar essas sílabas. E mesmo, no final do silencioso sofrimento por que passaste para encontrar essa forma ideal de dares voz ao que sentes e queres transmitir, acabarás por continuar a pensar. Porque é isso que fazemos quando nada temos e tudo temos. Pensar!

Muitos saberão o que quero dizer. Não é infelizmente possível – pelo menos, com a paixão e com a garra que sempre ambicionamos colocar no papel – escrever todos os dias, como se apenas bastasse que o quiséssemos realmente.

Podemos até escrever uma ideia, de forma relativamente simples, mas absolutamente desprovida daquele corpo em que a concebemos inicialmente. Podemos até escrever um verso que, no fim, se revelara deveras surpreendente, mas que peca por esse mesmo motivo – o de ser surpreendente. Mesmo reconhecendo potencial ao que escrevemos, não foi o verso que imaginámos e, muito menos, construído sobre o ideal que quisemos expor.

Escrever é muito isto. Uma infindável batalha por uma busca de palavras que se possam juntar a uma mesa e, em debates resultantes de ideias aparentemente desconexas, criar algo verdadeiramente provido de sentido.

É, por isto, que Escrever é aquilo que verdadeiramente me apaixona. Porque é doentio. Porque me põe doente. E, no fim, me cura realmente.

Viva a Poesia.

E foi num clima de verdadeira agregação, num Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa absolutamente ínfimo para receber esta enorme multidão, interessada em prestar uma homenagem à Poesia no seu Dia Mundial, que foi lançada o sexto volume da Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho”, pela Chiado Editora.

Numa cerimónia que contou com a declamação de poemas por actores portugueses conhecidos do grande público, aquilo que fica verdadeiramente para reter é a qualidade e o número expressivo de pessoas que ainda ousam escrever Poesia num quadro cultural tão pouco cativante e ainda menos receptivo, bem aqui, neste cantinho da Europa.

Foi com imenso orgulho que fui um dos autores seleccionados para integrar esta Obra que conta com 1500 poetas contemporâneos, dos 5000 que foram inicialmente propostos.

Tal como anteriormente anunciado, o poema da minha autoria que fora merecedor desta selecção intitula-se “A subversão do viver“, podendo ser encontrado no segundo Tomo desta Antologia.

Viva a Poesia.

“Entre o Sono e o Sonho”

Entre o Sono e o Sonho

É já amanhã, Dia Mundial da Poesia, pelas 16h00, no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa, que se realiza o lançamento da VI Antologia de Poesia Contemporânea Entre o Sono e o Sonho, Obra que pretende ser representativa do trabalho de 1500 poetas em língua portuguesa.

Como anteriormente anunciado, serei co-autor, participando com o meu poema «A subversão do viver», facto que muito orgulho me traz! A selecção dos poemas antologiados foi levada a cabo pelo CEO da Chiado Editora, Gonçalo Martins.

Para aguçar o apetite de todos, confirma-se:
– a presença de 700 Poetas portugueses, entre autores consagrados e emergentes;
– a apresentação do evento pelo CEO da Chiado Editora, Gonçalo Martins;
– a declamação de poemas seleccionados por actores conhecidos do grande público, nomeadamente Custódia Gallego e Carlos M. Cunha (Commedia a la Carte);
– será o maior evento do ano em Portugal dedicado à Poesia.

A entrada é livre. Venham celebrar a Poesia e o início da Primavera.

Deixo o meu especial convite a todos os que queiram/possam estar presentes, em especial à minha Família, aos meus Amigos e aos meus Colegas! :D

Tiago

Sei das coisas

Que sei eu das coisas que existem?
Nada. Apenas que tudo não será certamente.

E se eu conhecesse todas as coisas?Tiago Pereira
Sufocar-me-ia o tédio abismal de as conhecer.
Mil pontos finais colocados no viver.

As coisas, todas elas, vestem o seu encanto
No desconhecimento que delas temos.
Que não é, nem tão pouco, nem tanto.

E eu contento-me assim.
Por não as saber até ao seu fundo.
Por me permitir divagar por raciocínios
Sem deles extrair uma exacta ideia do mundo.

Deixa, pois, uma coisa de ser bela
Se ousarmos por hipótese afirmar
Que tudo sabemos dela.

Nunca sabemos tudo das coisas.
Nem eu quero saber.
Não valeria a pena viver.

Conhecendo todas as coisas,
Não haveria o que imaginar.

Afinal, tudo é Sonhar.

in Palavras de um Sonho, Tiago Pereira, Chiado Editora, 2015.