Talvez um poema d’Amor

Transpiras o que sentes.
Não é difícil ter medo do que antes não conhecias.
Não é difícil deslumbrares-te neste labirinto imerso de sonho e magia.
Não é, aliás, difícil estenderes-te nos teus campos, contemplando a Lua.
Essa Lua que te ouviu desde pequena, tímida, frágil, esperançosa.
Uma esperança de um dia glorioso de sol e cheiro a maresia.
Uma esperança de algo tão poderoso que te fizesse suplicar
Pelo regresso da estável monotonia com que encaravas cada dia da tua vida.
Essa tua vida tão miserável, tão cheia de nada, tão cheia de vazios.

Aqui está ela.
A tua oportunidade.
A porta aberta para toda a vontade do teu ser até agora adormecido.
Queres ser feliz? Eu também.
Sê feliz, mas sê-lo agora.
Qualquer porta, uma vez fechada, não deverá voltar a abrir-se.
Nada será como dantes e tu sabe-lo.
Faz com que essa porta nunca se feche.
Só de ti depende cada jornada do que te queres fazer ser.

Faz o que fazes de melhor. Sorri.
Podes controlar cada centímetro da expressão do teu rosto,
Mas não podes mascarar qualquer riso da tua alma.
É a tua alma que te distingue dos outros.
E ela sorri neste momento.
Anda à roda nas próprias voltas que dás dentro de ti.
E corre. E balanceia. E canta. Até parece que fala.
Nunca falaste tanto sozinha como nas últimas madrugadas.
Que raio se passa contigo? Já não te conheces!

Deixaste de medir o tempo e começaste a viver-te.
Tinha o teu dia vinte e quatro longas horas de espera.
Uma espera por mais um amontoado de banalismos enviesados
Por formalidades sufocantes da rotina e do que tinha que ser feito.
Duas dúzias de horas e parecem-te agora pequenas as mãos
Com que tentas agarrar todo o tempo que te alimenta.
Fruis de cada vento como se amanhã a possibilidade de viver se dissipasse.
Anseias por tudo o que poderás viver a partir deste ponto de viragem.
Todos os caminhos possíveis partem de ti sem que saibas onde se cruzam.

O mapa é outro.
Abruptamente novo, perigosamente imenso, emocionalmente vasto.
Esquece as três dimensões.
Essas ficam para o que podes controlar.
E o que podes controlar é já realmente pouco neste momento.
Abriste a tua porta sem perguntares ao que vem,
Pelo que vem, quando e para onde vai. E porquê tu.
É esta a parte que amplifica a perplexidade da tua razão.
A razão de não haver qualquer razão para teres sido tu.

Mas enquanto prestas contas à razão
E às mil e uma perguntas que teimas em querer fazer,
É essa câmara de sonhos que guardas no peito que te prende à vida.
À nova vida que agora tens e que – deverias estar certa –
Terás até tão simplesmente deixares de querê-lo.
E, nos entretantos do teu corpo, vai correndo o espesso sangue do teu Amor
Pelas veias da irracionalidade genuína que te compõe.
Com a tua curiosidade, desbravas cada esquina da rua, por ti, agora descoberta.
A ilusão de um mundo desconhecido ficou para trás. Tudo são agoras.

Almas que se cruzaram e uma história nascida…
Não estas linhas.
Nem qualquer poema por mim assinado.
Não estando certo se mesmo alguma destas palavras vale o carimbo de algo verdadeiramente grandioso.
Nem mesmo tudo o que pela minha mão tenha conhecido um pedaço de papel.
Mas sim, absoluta e irremediavelmente, tu.
És o meu mais belo poema d’Amor.
Se isto for poesia, é claro.
Mas se não for… Restas-me tu. (E isso eu sei.)

 

04/09/15