Universo

Acima de nós.
Acima do tempo.
Acima da vida.
Acima de tudo.
O Amor. 

10/08/16

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Talvez um poema d’Amor

Transpiras o que sentes.
Não é difícil ter medo do que antes não conhecias.
Não é difícil deslumbrares-te neste labirinto imerso de sonho e magia.
Não é, aliás, difícil estenderes-te nos teus campos, contemplando a Lua.
Essa Lua que te ouviu desde pequena, tímida, frágil, esperançosa.
Uma esperança de um dia glorioso de sol e cheiro a maresia.
Uma esperança de algo tão poderoso que te fizesse suplicar
Pelo regresso da estável monotonia com que encaravas cada dia da tua vida.
Essa tua vida tão miserável, tão cheia de nada, tão cheia de vazios.

Aqui está ela.
A tua oportunidade.
A porta aberta para toda a vontade do teu ser até agora adormecido.
Queres ser feliz? Eu também.
Sê feliz, mas sê-lo agora.
Qualquer porta, uma vez fechada, não deverá voltar a abrir-se.
Nada será como dantes e tu sabe-lo.
Faz com que essa porta nunca se feche.
Só de ti depende cada jornada do que te queres fazer ser.

Faz o que fazes de melhor. Sorri.
Podes controlar cada centímetro da expressão do teu rosto,
Mas não podes mascarar qualquer riso da tua alma.
É a tua alma que te distingue dos outros.
E ela sorri neste momento.
Anda à roda nas próprias voltas que dás dentro de ti.
E corre. E balanceia. E canta. Até parece que fala.
Nunca falaste tanto sozinha como nas últimas madrugadas.
Que raio se passa contigo? Já não te conheces!

Deixaste de medir o tempo e começaste a viver-te.
Tinha o teu dia vinte e quatro longas horas de espera.
Uma espera por mais um amontoado de banalismos enviesados
Por formalidades sufocantes da rotina e do que tinha que ser feito.
Duas dúzias de horas e parecem-te agora pequenas as mãos
Com que tentas agarrar todo o tempo que te alimenta.
Fruis de cada vento como se amanhã a possibilidade de viver se dissipasse.
Anseias por tudo o que poderás viver a partir deste ponto de viragem.
Todos os caminhos possíveis partem de ti sem que saibas onde se cruzam.

O mapa é outro.
Abruptamente novo, perigosamente imenso, emocionalmente vasto.
Esquece as três dimensões.
Essas ficam para o que podes controlar.
E o que podes controlar é já realmente pouco neste momento.
Abriste a tua porta sem perguntares ao que vem,
Pelo que vem, quando e para onde vai. E porquê tu.
É esta a parte que amplifica a perplexidade da tua razão.
A razão de não haver qualquer razão para teres sido tu.

Mas enquanto prestas contas à razão
E às mil e uma perguntas que teimas em querer fazer,
É essa câmara de sonhos que guardas no peito que te prende à vida.
À nova vida que agora tens e que – deverias estar certa –
Terás até tão simplesmente deixares de querê-lo.
E, nos entretantos do teu corpo, vai correndo o espesso sangue do teu Amor
Pelas veias da irracionalidade genuína que te compõe.
Com a tua curiosidade, desbravas cada esquina da rua, por ti, agora descoberta.
A ilusão de um mundo desconhecido ficou para trás. Tudo são agoras.

Almas que se cruzaram e uma história nascida…
Não estas linhas.
Nem qualquer poema por mim assinado.
Não estando certo se mesmo alguma destas palavras vale o carimbo de algo verdadeiramente grandioso.
Nem mesmo tudo o que pela minha mão tenha conhecido um pedaço de papel.
Mas sim, absoluta e irremediavelmente, tu.
És o meu mais belo poema d’Amor.
Se isto for poesia, é claro.
Mas se não for… Restas-me tu. (E isso eu sei.)

 

04/09/15

Nós

Nunca é tarde contigo.
As horas passam como o vento.
sssssE nós…
Não contentes com a vida,
sssssQuisemos sê-la.
Não submissos à regra,
sssssQuebrámo-la.
Não satisfeitos com o que somos,
sssssFomos mais.
Não resignados com a apatia,
sssssOusámos findá-la.
Não dominados pela lágrima,
sssssLutámos por e neste Amor.
E assim ficámos.

05/04/15

Fácil

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Carlos Drummond de Andrade
Itabira, Minas Gerais, Brasil
1902-1987

Houve o tempo

Houve o tempo
Em que o sorriso chegava
E enquanto o tempo parava,
Louco bastante eu te dava
O quanto te amava.

Houve o tempo
Em que tive como certo
O teu olhar deserto
De quem quer por perto
Alguém sempre desperto.

Houve o tempo
Em que a distância feroz
De um medo atroz
De que ficássemos sós
Tomou posse de nós.

Houve o tempo
Perdido num espaço,
Sem dor nem cansaço,
Selado num abraço
De um amor a compasso.

Houve o tempo
De um Querer comum,
Sem motivo algum,
Em que eu e tu
Fomos metades de um.

Houve o tempo.
Todo este tempo.
Ido com o vento.
Morto sem cabimento.
E o teu olhar era o meu alento!

30/03/15

Significado de Amar

Não és tu a mulher que mais amei
Pela tão simples razão de só agora
Eu saber o significado de Amar.
E agora que o sei, amo amar-te.
É agora que deves ficar a saber
Que não posso mais largar-te.

Amo até a espontaneidade ridícula
De estremecer quando te vejo descer
Pelas escadas do céu em direcção a mim
Como se apenas te pudesse conceber
Ao sabor do louco desejo de satisfazer
As tuas prazerosas insanidades sem fim.

E se nascer em mim o súbito medo
De que eu seja tão somente uma parte
Das sensações que queres conhecer,
Deixa-me que te conte um segredo:
Há por aí quem mais queira adormecer
Neste peito onde um dia sonhaste viver.

Deixa-me guardar-te para mim.
Deixa que este teu bem conhecido nome
Ouse um dia levar-te a dizer “sim“.
E que recordes esse dia como o primeiro
De todos os dias que nos pertencerão.
Serei uma inteira alma na tua mão.

23/02/15

Sabor amargo

Que instinto mais humano
O de desejar o cruel inferno
A todo o ser mais tirano
Que um dia já nos foi terno.

Largar a mão de quem
Não hesitou em rebaixar
A nossa vontade de bem.
A nossa força de amar.

Enterrem-se os momentos
E essa alma que se dane.
Que a leve os ventos!

Pobre sina infame
A de quem teve intentos
De ter alguém que os ame.

11/02/15

Nos teus braços

Tenho o mundo inteiro na mão
Quando penso que és o meu mundo.
Larga-me por um segundo
– Por um que seja, mesmo que breve! –
E eu garanto-te, prometo-te, juro-te
Que gritarás alto pelo meu perdão.

O quanto me perco em ti.

Olha-me, mas quando me olhares,
Fá-lo com a certeza de que é este o semblante
Por quem quererás sempre olhar.
Desvia a tua atenção por um instante
E eu garanto-te, prometo-te, juro-te
Que pedirás de novo o meu olhar.

Vale a minha vida pelo que me provocas.

O pulsar que ultrapassa todas as regras,
A respiração que se ouve sem reservas
E o sorriso que só tu sabes erguer.
– E que estupidamente genuíno este sorriso! –
Garante-me, promete-me, jura-me
Que nunca matarás este feitiço.

Peço-nos isto. Eu, tu e nós. Nunca esqueças.

Entrego-me carnalmente ao vício de ti.
Se puder viver, que seja nos teus braços.
Respirar pela tua pele quente onde conheci
O porquê mágico de querer Sonhar.
Garante-me, promete-me, jura-me
Que os nossos dias escutarão o verbo amar.

Eu amo-te. Sabes o que é amar?

08/02/15

O amor, em todos os seus géneros, é uma dádiva merecida.
Deixando de merecer amar, tão pouco merecemos ser amados.

28/04/14

“Surdo, Subterrâneo Rio”

Surdo, subterrâneo rio de palavrasGerês
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
— surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

Eugénio de Andrade