Falta-nos Coração

CFaltam tantos C’s à nossa vida.

A Compreensão que nos escapa e pela qual imploramos. Compreender os outros, compreender o mundo. Compreendermo-nos. Ah!! Queixamo-nos do pouco tempo que temos entre mãos, que a vida são dois dias, e ainda assim são tantos os episódios que nos escapam por entre a infinita teimosia do nosso ego porque apenas nos limitamos a querer compreender os que respiram nos nossos contornos, ao invés de pararmos um segundo que seja para nos tentarmos Compreender a nós mesmos. Custa? Ah, pois custa! Não fosse tão alto esse Custo e tudo cairia na banalidade do simples Conseguimento de tudo. E ninguém quer isso. Falo, claro, neste instante, por mim!

Falta-nos sobretudo Coragem. Coragem para pisar o risco. E para ir além dele também! É de Coragem que se farão os nossos Caminhos. É essa Coragem que sempre faltou a que nos permitirá Construir a vida que sempre sonhámos Conseguir ter. E, ainda assim, faltará Coragem… Coragem para Criticar. É fácil… Tão fácil fazê-lo aos outros. Critiquemo-nos! Critiquemo-nos acima de tudo. E, um dia, seremos melhores por isso.

Falta-nos um sério e sincero Compromisso. Ter um Caminho a seguir. Um objectivo distante que implique à partida que tenhamos que nos Concentrar com todas as nossas forças. Comprometer-nos a fazer algo por nós. Comprometer-nos por e com alguém. Com alguém que amamos. Com alguém que nos faça perder as estribeiras. Com alguém por quem valha a pena Correr atrás.

Acima de todos estes C’s, falta-nos Coração. Arrancar a máscara, mas arrancá-la definitivamente, para que deixemos de uma vez por todas a tentação de nos Camuflarmos perante todos quantos nos rodeiam. Cedo ou tarde, é essa a máscara que deverá cair sempre. Para que ousemos alimentar o nosso Conhecimento. Para que tenhamos a audácia de sermos dados a provar ao Conhecimento de todos quantos nos amam, demonstrando a nossa Compaixão. Para que ousemos Criar-nos e reinventar-nos a cada instante. Para que ousemos ser o motivo ténue, mas tão mágico e poderoso do Contentamento de alguém que nos Cative daquela forma absolutamente singular que mais ninguém – estamos certos – Conseguirá. Segundo após segundo. Palavra após palavra. Olhar após olhar.

Falta-nos Coração. Tanto Coração.

08/03/15

O calor da noite é sábio e sabe onde fica o coração.

01/07/08

A duas vozes

Todos os instantes me parecem reais
Quando fecho os olhos e penso.
De tudo me lembro,
De nada me esqueço.
Até que, por fim, adormeço.

Mas dormir é também pensar.
Num alheamento da realidade.
Por vezes, tão perto da verdade.
Múltiplos e incertos caminhos
Por onde vagueio. Por onde sonhar.

Nada para lá do eterno Sonho
Mais ambiciono decifrar
Que esta letal união
Entre o sentimento e a razão.
Soubesse eu conciliar…

Todo o segundo em que existo
Vive desta constante oposição.
E que difícil é fugir disto
Quando me entrego em vão
Nesta irracional vontade do coração!

 

25/06/14

 

 

Viagem da Alma

Embarco numa viagem da Alma
Quando tudo aquilo que dei,
Que não foi menos que o que pude dar,
Se ancorou às ilusões de quem quis Sonhar.

Os ventos da mudança. Sempre eles.
Gritam-me lá do longe aqui tão perto
Para que chegue junto deles.
Para que não me perca no deserto.

Ah, como é bom viajar!
Desprender-me do que julgo ser
E sentir-me livre como o vento.

Já me senti livre como o vento.
Num tempo em que pensava
Que nem tudo é pensar.
Não sei já desse tempo.

É o coração uma espécie de intuição?
É a racionalidade um austero escudo?
Que é do meu tempo de Razão?

18/03/14

Do que me perdi

Existo, conheço, sinto.
Todos os dias um pouco mais.
Mas ainda não finto
Os pensamentos mais banais.

Nem eu quero fintar
A mais comum das sensações.
De contrário, quero captar
A vida dos demais corações.

Não se adivinha fácil.
De resto, nada o é.
De nada me vale ser hábil
Se não tenho qualquer fé.

Num instante que não sei
Tornei-me no que hoje sou.
Da esperança abdiquei.
Quase tudo me levou.

E agora que fito o horizonte,
Nega-me incerta luz a visão.
Talvez tema estar defronte
De quem um dia lhe soltou a mão.

17/01/14

Espontânea Vontade

Os desejos intermináveis
De escrever sem findar
Erguem as inolvidáveis
Palavras que são o meu ar.palavras1

As subjugações interiores
Que alimentam o meu viver,
Quiçá os únicos amores
Que não tive que escolher.

Sombrias vozes inaudíveis
Segredam dentro de mim
Estas palavras legíveis
Que escrevo sem fim.

Pequenas letras combinadas
Somente buscam a verdade
Quando o coração dá asas
À minha espontânea Vontade.

03/12/13

Os anjos não têm asas

Os anjos não têm asas. Não voam. Os anjos caminham entre nós. Têm pensamentos e vontades próprias. Os anjos não têm rosto definido. Não ostentam nenhuma auréola que os identifique como praticantes do bem. Os anjos não têm nome. Posso ser eu. Podes ser tu. Os anjos existem realmente. Apenas diferem na forma como os idealizamos. Os anjos não são aqueles que vestem de branco. São todos quantos queiram Lisboaolhar por alguém antes de olharem por si. Os anjos têm alma. A luz que transmitem não é mais que o contentamento de quem esteve presente quando alguém precisou. Os anjos não ouvem gritos de aflição. Sentem a dor alheia no silêncio. Os anjos não agem em prol de um “obrigado”. Sentem-se agradecidos pelas oportunidades em que puderam estar junto de alguém em momentos especiais. Os anjos não têm idade. A sua sabedoria é alimentada por todos aqueles que em algum instante lhes tocaram. Os anjos não vêem um mau carácter por trás de um gesto ruim. Vêem um ser Humano que erra num dia menos bom. Os anjos não apontam o dedo quando não são suficientemente humildes para chamarem a si a culpa do falhanço. Reconhecem não ser perfeitos e sabem pedir desculpa. Os anjos não anseiam nada. A sua felicidade é a surpresa. Os anjos não são vozes supremas, escolhedoras de bonitas palavras em instantes de mágoa. Fazem de cada palavra uma ocasião para um gesto. Os anjos não são quem apenas sabe sorrir. Também eles provam o sentimento da traição e da perda. Os anjos não guardam ressentimentos. Fortalecem a sua personalidade com as memórias dos seus dissabores. Os anjos respiram o mesmo ar de todos nós. Todos podemos ser anjos, ainda que não o saibamos. Os anjos são raros, mas existem. Resta-nos saber encontrá-los.

21/11/13

Só termina no fim

Demorei. Demorei a compreender que o tempo é breve e se esvanece tão rapidamente, quanto mais lenta é a minha prontidão no agir. Demorei a entender que viver de olhos fechados é tão somente uma tentativa automática e desesperada de evitar o que é real e, acima disso, de ser eu próprio. Demorei a interiorizar o facto de uma porta se ter fechado em virtude de uma janela que, bem ou mal, foi deixada para trás, tão só e apenas porque assim o quis. Demorei a assumir que o legado por mim defendido – e que se consubstancia na ideia de que o Querer, só por si, consegue alcançar tudo a quanto se propõe – é profundamente errado e, mais que isso, não traduz, não raras vezes, quem sou ou quem quero ser. Demorei a pousar na terra e a reconhecer, sem qualquer vergonha de ter acreditado, que o Sonho é importante, que o Sonho alimenta a alma, que o Sonho é uma permanente e volúvel balança de sentimentos, mas – e apesar de toda a manifestação omnipresente da sua existência – o Sonho não dita felicidade. Demorei até abrir realmente os olhos e ver as coisas tal como são. Demorei a conhecer a penosa verdade que rege o Amor, em que ninguém é inteiramente de ninguém, ninguém pertence realmente ao mundo de ninguém, até porque, se assim o fosse, perder-se-ia a singularidade de cada um em detrimento de uma esperança de que duas partes tão distintas possam resultar em algo bom, num todo criador de felicidade. Demorei a ler que a vida não pára e que o meu percurso continua até que me escape o coração, a mente, a alma. Demorei a atingir a Verdade, mas consegui-o.

23/06/13

Há três dimensões para lá de uma fotografia.
Coração, Mente e Alma.

25/09/12