A esplanada

Na esplanada cinemática
Feita de chegadas e partidas,
Há criaturas humanas
Que vêm e ficam,
Frescuras de alma
Em quem sempre habitam
Cruéis arrependimentos
De terem desafiado a matemática.

A esplanada pequena,Esplanada de Civil
O mundo de todos.
Dos atrasados
Que ficaram à porta,
Dos perdidos
Que não sabem onde estão
(Nem querem saber!)
E que, por arrogante ingenuidade,
Julgam ser donos da razão.

É esta a esplanada
Do verde e azul desassossego
Onde engenheiros inquietos
Projectam momentos, carreiras,
Vidas múltiplas, inteiras,
E arquitectos despertos
Para os quês da realidade
Desenham conversas pela insanidade.

Uma esplanada,
Um teatro de vários géneros.
De actores voadores
Que nos visitam sem recear
A chávena que o chão queira quebrar.
Da personagem que nos desperta
A mais inquietante das sensações
Num ímpeto que liberta
A voz dos nossos corações.

É esta a esplanada!
A nossa vida contada.
A conversa fiada
Como se não houvesse balada
Que desse por terminada
Esta vontade amplificada
De não cessar qualquer risada
Até que a chuva dite a debandada.

16/04/15

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Operação_ 2ºSemestre

Inicia-se a referida operação (de carácter absolutamente agressivo, segundo a Organização Mundial de Saúde) no dia 13 às 8 da matina com Hidrologia e Recursos Hídricos. Os exames de inverno já lá vão, o que não implica que o frio tenha acompanhado a mesma tendência. De resto, avizinham-se muitos solos e rochas por explorar, batalhões de materiais de construção para saber aplicar, redes de transportes para satisfazer determinada procura, sistemas de informação geográfica para dominar e, as já clássicas, resistência de materiais e hidráulica. Tudo em pouco mais de cinco meses. Ao trigésimo dia do próximo mês de Junho poderei dizer Mission Accomplished ou The End. Veremos.

Txin txin!

E vão 2

Dois anos de 24, sem nunca ter explorado aprofundadamente os mistérios que pairam por detrás deste número tão bonito. Talvez tenha sido um pretexto para criar um blogue, talvez um mero nome para um espaço de escrita quando as ideias escasseavam. Sinceramente, já não me lembro. Talvez tenham sido as duas.

Tenho andado ausente, eu bem sei! Época de exames a arder progressivamente com a minha pessoa. Haja alguma paciência para comigo. Verão que valerá a pena. Ou não. Mas vamos acreditar que sim!

P.S.: Não vou falar sobre os milhares de euros do Senhor Aníbal. Olha…já falei.

Pausa

Aqui vos deixo esta música que me deixa de caixão à cova.

Pearl Jam – «The Fixer»

 

E agora o que me deixa realmente enterrado é o saber que esta noite posso aspirar a poder dormir só um bocadinho mais do que tenho feito ultimamente. Mais um semestre na prateleira e agora resta saber se não vou ser emprateleirado pelos exames. Mas antes disso, um grande bacalhau com tudo a que tenho direito, muita saúde e alguma sorte, só peço alguma, porque a vida não está para grandes contemplações. Até lá, não vou estar aqui a comprometer-me com isto ou aquilo pois a minha cabeça pediu-me permissão para partir para uma estância turística, por tempo indefinido. Posto isto, vou dormir. Até um dia destes.

Coisas

Só para dizer que mais tarde ou mais cedo voltarei para dizer qualquer coisa. Até lá, assistam à nossa grande Selecção que tudo tem feito por espalhar futebol bonito por este planeta fora. E reparem como a vida tem a capacidade de nos surpreender a cada dia que passa.

Uma palavra aqui também para os figurantes clandestinos que ganham a vida, assistindo ao Salve-se Quem Puder. Outra palavra tardia, mas nem por isso menos importante, para “Os Montelavarenses” que se tornaram campeões da 1.ª Divisão “Centenário” da Associação de Futebol de Lisboa. Uma alusão merecida ao espírito da grande Alfama que conquistou mais uma edição das marchas de Lisboa! Uma palavra final para o corpo docente da cadeira de Gestão do Instituto Superior Técnico que permitiu que… Afinal, não é preciso palavra nenhuma. Finito.

Papices

O Papa vem a Portugal e o país vai parar. As escolas vão fechar, os alunos do ensino superior não vão ter aulas. Menos eu. Só para variar e tal. Quando os professores nos perguntam se estamos a ponderar ir ver o rapaz ao Terreiro do Paço, o único ruído que contraria o silêncio nos anfiteatros são os nossos risos. E o dos próprios “docentes” também. É uma risada isto.

Rezem muito por Nossa Santidade. Pode ser que não hajam surpresas na última jornada do campeonato e que eu passe às cadeiras todas.

Ámen

WANTED – Algo para escrever

Já acontecia qualquer coisinha para que eu pudesse vir aqui escrever condignamente. Quanto mais não seja um 15 a Hidráulica ou uma vitória na Luz… É que estar sempre a falar de mim é chato para vocês. Começa a enjoar, digo eu…

Arquitec…oops.

“Manda” o código deontológico do Engenheiro Civil dizer mal a torto e a direito dessa outra classe que são os Arquitectos… E vice-versa. É das coisas que mais tenho aprendido ao longo destes quase dois anos de vida académica.

Pois bem, eu poderia vir para aqui fazer isso, mas como até nem sou má pessoa (bem pelo contrário), não faço. Venho, sim, estampar um verdadeiro ícone da visão que tenho do «belo», no meu pobre conhecimento sobre Arquitectura. O autor é o americano Steven Holl com o qual estou a ter o previlégio de “trabalhar”.

2004, Long Island, NY, EUA.

Enjoy it.

Mudanças

Os sismos e todas as tragédias e mais algumas têm-se multiplicado todos os dias. O Sporting lembrou-se de começar a jogar à bola no final da época. A cadeira de Electromagnetismo e Óptica está, não sei como, no papo. Ou melhor… Sei, mas não foi obra do Espírito Santo. Posto isto, está algum burro para cair do céu?

Ou será por nos estarmos a aproximar perigosamente do ano 2012 que, na cabeça de muitos tarados, é o início do fim? Desculpem-me aqueles que acreditam que daqui a menos de dois anos restarão apenas as cinzas das nossas tripas, mas mais depressa acredito num burro a cair do céu do que numa previsão anunciada do fim do mundo. Tudo há de ir para o galheiro um dia, sim. Porém, o dia seguinte é sempre uma incógnita. Quanto mais, previsões a um prazo somente comparável à idade de Manoel de Oliveira…

Não sabemos o futuro. Nem adianta tentar saber o que quer que seja, pois somos nós que fazemos o amanhã.

“Esta foi impressionante, sem dúvida.”

Filipe de Almeida Fernandes Soares

(1990 -, Historiador)

À margem de um sismo

Gostava de poder vir aqui escrever algo com vinte e quatro palavras apenas. Mas ainda não foi desta. Está difícil. Os últimos tempos não têm sido fáceis para ninguém. Eu, preocupado em conceber que as equações de propagação de velocidades e acelerações não caem do céu, lá me vou movendo na ânsia de perceber as vibrações livres sem amortecimento. Coisas que a vocês nada vos dizem. O facto de nada me dizerem a mim é que me preocupa bastante.

Por cá, é outra a preocupação que tira o sono à classe política. Deixar o PS viver por mais uns tempos, aprovando o orçamento de estado graças à abstenção da direita. O triste é constatar que, para nós, cidadãos comuns, o OE quase nada nos diz, mesmo quando é o nosso verdinho ao fim do mês que está em jogo. Não há o mínimo esforço por parte daqueles que por nós foram eleitos em fazer perceber o que está em causa e qual o motivo do dilúvio instaurado no parlamento à custa desta brincadeira.

Deixando as trafulhices que pelo nosso país pairam e a mecânica que me atormenta a vida, existe, porém, algo bem mais crítico. A terra continua a tremer no Haiti, dias depois do momento que condenou aquele país. É triste ligar a televisão à espera de uma boa nova e, em vez disso, assistir a grupos armados em guerra aberta. Seja por comida, seja pelo que for. É triste. Eu e todos os que se andam a queixar, seja porque as dores nas costas estão piores que ontem ou porque o Sporting está longe do título ou porque os exames da faculdade não andam a correr assim nada de especial, devíamos pensar, por hipótese, que estamos sob aquilo que resta de um prédio e tentar imaginar como seria. Bem pior, não?