Espontânea Vontade

Os desejos intermináveis
De escrever sem findar
Erguem as inolvidáveis
Palavras que são o meu ar.palavras1

As subjugações interiores
Que alimentam o meu viver,
Quiçá os únicos amores
Que não tive que escolher.

Sombrias vozes inaudíveis
Segredam dentro de mim
Estas palavras legíveis
Que escrevo sem fim.

Pequenas letras combinadas
Somente buscam a verdade
Quando o coração dá asas
À minha espontânea Vontade.

03/12/13

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Os anjos não têm asas

Os anjos não têm asas. Não voam. Os anjos caminham entre nós. Têm pensamentos e vontades próprias. Os anjos não têm rosto definido. Não ostentam nenhuma auréola que os identifique como praticantes do bem. Os anjos não têm nome. Posso ser eu. Podes ser tu. Os anjos existem realmente. Apenas diferem na forma como os idealizamos. Os anjos não são aqueles que vestem de branco. São todos quantos queiram Lisboaolhar por alguém antes de olharem por si. Os anjos têm alma. A luz que transmitem não é mais que o contentamento de quem esteve presente quando alguém precisou. Os anjos não ouvem gritos de aflição. Sentem a dor alheia no silêncio. Os anjos não agem em prol de um “obrigado”. Sentem-se agradecidos pelas oportunidades em que puderam estar junto de alguém em momentos especiais. Os anjos não têm idade. A sua sabedoria é alimentada por todos aqueles que em algum instante lhes tocaram. Os anjos não vêem um mau carácter por trás de um gesto ruim. Vêem um ser Humano que erra num dia menos bom. Os anjos não apontam o dedo quando não são suficientemente humildes para chamarem a si a culpa do falhanço. Reconhecem não ser perfeitos e sabem pedir desculpa. Os anjos não anseiam nada. A sua felicidade é a surpresa. Os anjos não são vozes supremas, escolhedoras de bonitas palavras em instantes de mágoa. Fazem de cada palavra uma ocasião para um gesto. Os anjos não são quem apenas sabe sorrir. Também eles provam o sentimento da traição e da perda. Os anjos não guardam ressentimentos. Fortalecem a sua personalidade com as memórias dos seus dissabores. Os anjos respiram o mesmo ar de todos nós. Todos podemos ser anjos, ainda que não o saibamos. Os anjos são raros, mas existem. Resta-nos saber encontrá-los.

21/11/13

Só termina no fim

Demorei. Demorei a compreender que o tempo é breve e se esvanece tão rapidamente, quanto mais lenta é a minha prontidão no agir. Demorei a entender que viver de olhos fechados é tão somente uma tentativa automática e desesperada de evitar o que é real e, acima disso, de ser eu próprio. Demorei a interiorizar o facto de uma porta se ter fechado em virtude de uma janela que, bem ou mal, foi deixada para trás, tão só e apenas porque assim o quis. Demorei a assumir que o legado por mim defendido – e que se consubstancia na ideia de que o Querer, só por si, consegue alcançar tudo a quanto se propõe – é profundamente errado e, mais que isso, não traduz, não raras vezes, quem sou ou quem quero ser. Demorei a pousar na terra e a reconhecer, sem qualquer vergonha de ter acreditado, que o Sonho é importante, que o Sonho alimenta a alma, que o Sonho é uma permanente e volúvel balança de sentimentos, mas – e apesar de toda a manifestação omnipresente da sua existência – o Sonho não dita felicidade. Demorei até abrir realmente os olhos e ver as coisas tal como são. Demorei a conhecer a penosa verdade que rege o Amor, em que ninguém é inteiramente de ninguém, ninguém pertence realmente ao mundo de ninguém, até porque, se assim o fosse, perder-se-ia a singularidade de cada um em detrimento de uma esperança de que duas partes tão distintas possam resultar em algo bom, num todo criador de felicidade. Demorei a ler que a vida não pára e que o meu percurso continua até que me escape o coração, a mente, a alma. Demorei a atingir a Verdade, mas consegui-o.

23/06/13

Há três dimensões para lá de uma fotografia.
Coração, Mente e Alma.

25/09/12

Explicar o Inexplicável

Criou-se o Mundo e desde aí que procuramos teorizar tal criação. Criou-se a vida a partir de partículas tão pequenas que não compreendemos como tais partículas estiveram na origem de um panorama de progressão até à forma da vida, tal como hoje a conhecemos. Adão e Eva preconizaram a primeira dupla Humana na Terra e sempre nos debruçámos em tentar perceber porque foram esses dois seres e não outros quaisquer, de onde surgiram, se apareceram no mesmo instante… A água, recurso essencial à existência e manutenção dos Ecossistemas, qual a razão do papel tão relevante deste composto e que motivos conflituosos impossibilitam que esta chegue a todos quanto habitam o solo que pisamos? Porquê a água e não outro líquido, qualquer que seja??

A manifestação genérica do sentimento de felicidade por parte do Ser Humano processa-se através de um sorriso que, no entanto, nem sempre é repleto de sinceridade. Mas então, porquê ter gestos que reflictam alegria quando muitas vezes tais gestos partem de intuitos falsos e hipócritas?

Ocupamos esmagadora parte do nosso tempo em busca de explicações para tudo o que diante dos nossos olhos se passa, procurando satisfazer a sede de resposta a todas as dúvidas que a nossa mente nos coloca. Talvez nem tudo tenha que ser explicado. Talvez nem tudo exista para ser explicado. Talvez tentemos procurar explicações para aquilo que é inexplicável. Todos sabemos que as respostas e as explicações que procuramos diariamente nos proporcionam não só conhecimento, mas principalmente um sentimento de segurança. E é ela que nos tranquiliza quando nada nos parece querer acalmar. Nem sempre a dicotomia certo/errado nos motiva a agir. Nem sempre a opção pelo caminho moralmente mais correcto nos traz maior segurança. Talvez seja um erro seguir sempre a lógica. Talvez retire o último “Talvez”.