Olha o mundo

Olha em frente, sempre em frente.
O futuro em presente
De poderes sempre viver
O Sonho que ambicionaste erguer.

Ergue o teu olhar,
Que é de olhar sem pensar
Que alcançarás o mais alto
Estado de alma. Chama-se Amar!

Olha sem medos, vê com a paixão
Que te instiga a querer saber
O que está para lá do alcance da tua mão.

Olha-te a ti, olha nos olhos dos mortais, vê tudo.
Não queiras antecipar o que ainda não viste.
Só assim conseguirás sentir o mundo onde te construíste.

28/04/15

Rapsódia da Juventude

O país está como todos sabemos – e os que não sabem é porque preferem passar ao lado – e a malta jovem como eu, anda preocupada, transtornada, desanimada. No fundo, andamos «bué» descrentes. E os motivos da descrença ainda são bastantes. Por isso, vamos por partes:

1. Situação socioeconómica. Vivemos dias difíceis, presos a uma factura tricolor que, provavelmente, será ainda a minha geração a pagar. Três cores, infelizmente todas elas associadas ao dinheiro que fomos gastando no passado, no tempo das vacas gordas, quando não passávamos sequer de meros projectos de existência futura. Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia. Três tons carregados de negro, em que os próprios nomes acabam por revelar uma preocupação que deveria preencher um plano secundário – money, money, money – somente ultrapassado pelos valores pelos quais a vida em sociedade se deveria reger. Teoria muito bonita, esta. Pagaremos a fava por não passar de uma teoria.

2. Os senhores da Europa. Foi em 1986 que Portugal entrou na, então, Comissão Económica Europeia, sendo que, a avaliar pela tirania de certa senhora alemã e de certo senhor francês, datará do segundo milénio o momento em que seremos expulsos a pontapé, sem grandes contemplações ou pestanejares. Infelizmente e mesmo considerando o esforço colossal a que estamos sujeitos, seremos eternamente formigas e cada vez menos competitivos para podermos suplicar quando chegar o golpe de misericórdia. Quer o plano de ajustamento se revele um estonteante sucesso ou um estrondoso fracasso, a imagem que passará a médio prazo, fora de portas, será a de um país com uma abstenção que não lembra nem ao menino Jesus nas últimas eleições legislativas e de uma governação pecadora que colocou a imagem da poderosa Europa em banho-maria. Se por ventura nos tentarmos internacionalizar – e não é difícil de prever que isso tenha que acontecer no futuro – seremos sempre vistos como “os pecadores”.

3. Acção social no Ensino Superior. É raro o dia na comunicação social portuguesa em que não se ouve falar do aumento generalizado do abandono escolar no Ensino Superior. Não deixa de ser irónico que uma geração que é sistematicamente apontada como a mais preparada ao nível das Tecnologias de Informação e Comunicação, com elevada facilidade de aprendizagem e de comunicação interpessoal, um forte sentido de liderança, se veja gradualmente a caminhar para um beco sem saída. Somos bons? Somos, mas pelos vistos custamos dinheiro. Os critérios para a atribuição das bolsas escolares são absolutamente escandalosos, tornando cada vez mais complicada a tarefa de uma família média em suportar todo o aparato financeiro que manter um filho na faculdade acarreta e sentenciando como impossível, para agregados de baixo rendimento, a concretização dos sonhos de quem  um dia quis ser alguém na vida.

4. Primeiro emprego.  Os números mais recentes apontam para uma taxa de desemprego na ordem dos 14,8%, valor sempre animador para uma população jovem que se pede (e alguns exigem) que seja empreendedora, inovadora e persistente. Não tenhamos a mais pequena dúvida quanto a quem vai safar isto um dia. Sou eu e os milhões de jovens por este país fora. Talvez herdaremos um fardo demasiado pesado de quem decidiu por nós enquanto éramos ainda ideias nas cabeças de quem nos trouxe ao mundo. Uma coisa eu posso garantir. Aqui, não é só a falar que a gente se entende. É urgente passar das palavras aos actos. Queremos incentivos, queremos apoios, queremos sentir que ainda vale a pena lutarmos por um país que aparenta nada nos vir a poder dar num futuro próximo. Ir para fora? Há de certeza quem nos queira. E se assim tiver que ser, então que peguemos o touro pelos cornos.

5. Sofrer para Vencer. Face ao retrato cinzento que acabo de descrever e que, de resto, não terá esboçado certamente grande sinal de estupefacção na cara de quem leu o que até aqui foi escrito, acredito ainda que o esforço, mais tarde ou mais cedo, trará os devidos resultados. Sem esquemas, sem mesquinhices, haveremos de levar por vencida uma batalha que, quando criada, não se afigurava como nossa. Mas afinal de contas, nada é nosso…até o ser.

Liderança (ou falta dela)

A notícia da morte do líder da maior organização terrorista dos últimos anos divulgada pelo Mr. President trouxe um certo gáudio a todos aqueles que sentiram na pele aquele momento de Setembro de 2001, tal que se criou a impressão de que todos os males da humanidade tinham chegado ao fim com o lançamento de um cadáver ao mar. Em boa verdade, todos sabemos que inocentes sempre morrerão, seja por aviões tomados por árabes que aniquilam edifícios nos EUA ou por gangs que atiram à luz do dia na Cova da Moura. De facto, o que é certo é que esta morte trouxe de certa forma algum sentimento de justiça ao povo americano, mas nunca a sensação de segurança porque, essa, não nascerá até ao dia em que todas as desigualdades sejam corrigidas e a magnanimidade dos que menos fazem por ter e que mais têm, se erradique em nome dos que mais suam a troco de migalhas. Mas não só. Não só o dinheiro gera vida. Os contrastes de valores e a interpretação do que deve ser a vida em sociedade colectiva em comunhão com o papel que os decisores políticos deverão desempenhar, são as questões essenciais neste mar agridoce repleto do bom e do mau.

Se empiricamente é sabido que o líder deve dar a cara pelo exemplo, qual é a parte que todos eles ainda não perceberam?

Revolução

No espírito de liberdade que este dia respira e assentando na luta contra a reacção que se consagrou há precisamente trinta e sete anos, venho a este sítio pedir redenção pelos cerca de três meses que passei a milhas do 24.

A verdade é que as coisas para se fazerem para ontem são muitas e a vontade de escrever é pouca. Tudo isto somado à crise da nação, à troika do FMI e às eleições do Sporting, resultaram neste nulo de discurso. Peço realmente desculpa.

Mas quem nunca pecou que atire a primeira pedra… Ide, ide, mero transeunte do povo.

O caminho é mudar! Por tudo isto, prometo neste dia 25 de Abril, a tentativa de um regresso em força a este mundo.

Um muito obrigado.

Mudanças

Os sismos e todas as tragédias e mais algumas têm-se multiplicado todos os dias. O Sporting lembrou-se de começar a jogar à bola no final da época. A cadeira de Electromagnetismo e Óptica está, não sei como, no papo. Ou melhor… Sei, mas não foi obra do Espírito Santo. Posto isto, está algum burro para cair do céu?

Ou será por nos estarmos a aproximar perigosamente do ano 2012 que, na cabeça de muitos tarados, é o início do fim? Desculpem-me aqueles que acreditam que daqui a menos de dois anos restarão apenas as cinzas das nossas tripas, mas mais depressa acredito num burro a cair do céu do que numa previsão anunciada do fim do mundo. Tudo há de ir para o galheiro um dia, sim. Porém, o dia seguinte é sempre uma incógnita. Quanto mais, previsões a um prazo somente comparável à idade de Manoel de Oliveira…

Não sabemos o futuro. Nem adianta tentar saber o que quer que seja, pois somos nós que fazemos o amanhã.

“Esta foi impressionante, sem dúvida.”

Filipe de Almeida Fernandes Soares

(1990 -, Historiador)

À margem de um sismo

Gostava de poder vir aqui escrever algo com vinte e quatro palavras apenas. Mas ainda não foi desta. Está difícil. Os últimos tempos não têm sido fáceis para ninguém. Eu, preocupado em conceber que as equações de propagação de velocidades e acelerações não caem do céu, lá me vou movendo na ânsia de perceber as vibrações livres sem amortecimento. Coisas que a vocês nada vos dizem. O facto de nada me dizerem a mim é que me preocupa bastante.

Por cá, é outra a preocupação que tira o sono à classe política. Deixar o PS viver por mais uns tempos, aprovando o orçamento de estado graças à abstenção da direita. O triste é constatar que, para nós, cidadãos comuns, o OE quase nada nos diz, mesmo quando é o nosso verdinho ao fim do mês que está em jogo. Não há o mínimo esforço por parte daqueles que por nós foram eleitos em fazer perceber o que está em causa e qual o motivo do dilúvio instaurado no parlamento à custa desta brincadeira.

Deixando as trafulhices que pelo nosso país pairam e a mecânica que me atormenta a vida, existe, porém, algo bem mais crítico. A terra continua a tremer no Haiti, dias depois do momento que condenou aquele país. É triste ligar a televisão à espera de uma boa nova e, em vez disso, assistir a grupos armados em guerra aberta. Seja por comida, seja pelo que for. É triste. Eu e todos os que se andam a queixar, seja porque as dores nas costas estão piores que ontem ou porque o Sporting está longe do título ou porque os exames da faculdade não andam a correr assim nada de especial, devíamos pensar, por hipótese, que estamos sob aquilo que resta de um prédio e tentar imaginar como seria. Bem pior, não?