Onde ficou a Democracia?

Começou hoje o debate do programa do Governo na passada semana empossado, sabendo-se de antemão que terá vida curta.

Um Governo cujo programa foi sufragado pelo povo, respondendo a uma questão simples e basilar na história democrática portuguesa. “Eleições para a Assembleia da República – Círculo Eleitoral de Lisboa”. Foi este o título que encabeçou o meu boletim de voto. Não me foi colocada, ao contrário das leituras de grande parte da sociedade civil, nenhuma questão como “Quem não quer ver governar Portugal?” ou, até mesmo, “Quem não quer ver representado na Assembleia da República?”.

Tenho guardado para mim aquilo que realmente penso acerca da subversão institucional que se aplicou ao acto eleitoral de 4 de Outubro. Ganhou uma coligação de partidos que, quer se goste ou não, foi a que expressou a maior percentagem do eleitorado português. Sem apelar a relatividades ou a absolutismos, foi esta a vontade popular e a que incontestavelmente totalizou mais votos.

Mas estas foram eleições de uma nova estirpe. Nasceu agora outro conceito de eleição. Um conceito que renuncia de forma cabal à Democracia e a todos os fundamentos que a civilização moderna fez erguer. Um conceito de eleição que se cria a partir de cinzas sedentas de poder de instituições já por si, por motivos vários, desacreditadas.

Fazem-se eleições porque sim. Vencer ou perder, não interessa. Quem ganha, não governará. Ergue-se a lógica de uma negatividade que, somada grão a grão, derruba o poder legislativo, num golpe legalmente constitucional mas ferido de morte na legitimidade política e na voz daqueles que resolveram ir às urnas expressar um sentido ideológico distinto.

Hoje, no primeiro dia de debate do ainda governo em funções, o secretário-geral do Partido Socialista resolveu não tecer uma única palavra no plenário. Um pouco à imagem do seu contínuo e profundo desrespeito por aquilo que é o dever do decisor político, quanto mais não seja exercendo o seu mandato de deputado que lhe fora conferido no acto eleitoral.

Contas feitas (e muitas outras por fazer nos próximos tempos), assistiremos amanhã à demissão de um Governo sufragado pelo povo, à revelia de um acordo refém de ideais revolucionários.

Questiono a veracidade de algumas notícias levadas a público, nomeadamente no que toca à descida total da sobretaxa em sede de IRS e ao aumento do salário mínimo nacional para cerca de 600 euros. Medidas que, anulando qualquer ironia, obviamente só poderão ser bem recebidas pelo povo português. No entanto, e fazendo um exercício algébrico simples, percebo também que o aumento do salário mínimo nacional actual na ordem dos 505 euros para os referidos 600 euros, resulta num brutal aumento de despesa do Estado. Se, por outro lado, as receitas não acomodarem estes incrementos nas despesas, não é difícil para mim lembrar-me de um certo dia. Estávamos em Abril de 2011.

E agora aqui estamos.

Muitos me sorriram no dia 4 de Outubro ao mesmo tempo que me diziam “Espero que tenhas votado bem.”

Votei, pois. Votei na Coligação Portugal à Frente, seguindo os meus ideais.

É que, de facto, é para mim isto a Democracia. Dar voz à vontade do povo. E isso não foi feito.

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Grande.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo –
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

«O Amor em Visita»

Herberto Helder
(Funchal, 1930-2015)

 

Partiu hoje um dos grandes. Dos nossos grandes Portugueses.
Mas a sua Poesia aqui fica em nós. E era o que faltava se assim não fosse!

Wow

Chiado Editora

O tempo vai passando e, como forma de divulgação do meu mais recente trabalho, a minha Editora tem-se encarregue de partilhar alguns excertos das minhas Palavras de um Sonho. Começo a ficar seriamente “assustado” com a crítica positiva que a minha Escrita começa a ter, não só em Portugal, como também no país irmão, Brasil! Não que me assuste pelo facto de existirem pessoas dispostas a lerem-me – e com agrado! – mas porque sou apenas um jovem de 24 anos que ainda pouco sabe desta vida. Um jovem muito verde, ora bolas!!

Contas feitas, existe já o compromisso por parte de três blogues literários em realizarem uma crítica/resenha ao meu Livro, encabeçados por pessoas que vivem do outro lado do Atlântico e que têm na leitura uma das suas grandes paixões. E, claro está, o mesmo se passará no país que me viu nascer!

Face às mensagens que tenho recebido a propósito de como poderão adquirir o meu primeiro Livro, presto agora o seguinte esclarecimento:

«Palavras de um Sonho» | LOCAIS DE VENDA (Actualizado em 22 de Fevereiro de 2015)

– Livraria DESASSOSSEGO | Rua de São Bento, Nº34 | 1200-815 Lisboa

– Livrarias online (para todos os países):

– Em PORTUGAL, poderá também encomendar este Livro em qualquer balcão de uma loja FNAC.

– No BRASIL, a Obra encontra-se também disponível para encomenda em todas as redes de livrarias SARAIVA e CULTURA.

Indico, ainda, mais uma vez:

palavrasdeumsonho@gmail.com

Encerro, finalmente, o post mais comercial da história deste blogue. Creio, contudo, que entenderão que tenho que, de alguma forma, responder a todas as pessoas que me têm contactado.

Muito obrigado pela paciência! :)

Tiago

Tudo branco

Penhas da Saúde, Serra da Estrela, Fevereiro 2015

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Por vezes esqueço-me que estou em Portugal. Enquanto me volto a lembrar que também temos lugares assim…

Let it snow, Let it snow, Let it snow…  ♫♩♫

Next…

Uma das agradáveis surpresas do universo da música, neste ano, para mim. Soldiers Of Jah Army (SOJA). Filosofias “pouco terra a terra”, mas que traduzem mensagens simples e valores que deveriam ser uma banalidade – e não uma raridade – neste mundo que habitamos. Primam por letras objectivas, de entre as quais destaco hoje esta, pela singularidade dos seus versos e pelo que pretendem transmitir neste momento em que a ouço.
Cuz girl, you really appeal to me…
But I see a serious lack of communication…
SOJA – «You Don’t Know Me»

De resto…
Missão Algarve, Parte I: cumprida, sem sobressaltos de maior.
Que cheguem os derradeiros momentos. E mais um ano às costas.

Rapsódia da Juventude

O país está como todos sabemos – e os que não sabem é porque preferem passar ao lado – e a malta jovem como eu, anda preocupada, transtornada, desanimada. No fundo, andamos «bué» descrentes. E os motivos da descrença ainda são bastantes. Por isso, vamos por partes:

1. Situação socioeconómica. Vivemos dias difíceis, presos a uma factura tricolor que, provavelmente, será ainda a minha geração a pagar. Três cores, infelizmente todas elas associadas ao dinheiro que fomos gastando no passado, no tempo das vacas gordas, quando não passávamos sequer de meros projectos de existência futura. Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia. Três tons carregados de negro, em que os próprios nomes acabam por revelar uma preocupação que deveria preencher um plano secundário – money, money, money – somente ultrapassado pelos valores pelos quais a vida em sociedade se deveria reger. Teoria muito bonita, esta. Pagaremos a fava por não passar de uma teoria.

2. Os senhores da Europa. Foi em 1986 que Portugal entrou na, então, Comissão Económica Europeia, sendo que, a avaliar pela tirania de certa senhora alemã e de certo senhor francês, datará do segundo milénio o momento em que seremos expulsos a pontapé, sem grandes contemplações ou pestanejares. Infelizmente e mesmo considerando o esforço colossal a que estamos sujeitos, seremos eternamente formigas e cada vez menos competitivos para podermos suplicar quando chegar o golpe de misericórdia. Quer o plano de ajustamento se revele um estonteante sucesso ou um estrondoso fracasso, a imagem que passará a médio prazo, fora de portas, será a de um país com uma abstenção que não lembra nem ao menino Jesus nas últimas eleições legislativas e de uma governação pecadora que colocou a imagem da poderosa Europa em banho-maria. Se por ventura nos tentarmos internacionalizar – e não é difícil de prever que isso tenha que acontecer no futuro – seremos sempre vistos como “os pecadores”.

3. Acção social no Ensino Superior. É raro o dia na comunicação social portuguesa em que não se ouve falar do aumento generalizado do abandono escolar no Ensino Superior. Não deixa de ser irónico que uma geração que é sistematicamente apontada como a mais preparada ao nível das Tecnologias de Informação e Comunicação, com elevada facilidade de aprendizagem e de comunicação interpessoal, um forte sentido de liderança, se veja gradualmente a caminhar para um beco sem saída. Somos bons? Somos, mas pelos vistos custamos dinheiro. Os critérios para a atribuição das bolsas escolares são absolutamente escandalosos, tornando cada vez mais complicada a tarefa de uma família média em suportar todo o aparato financeiro que manter um filho na faculdade acarreta e sentenciando como impossível, para agregados de baixo rendimento, a concretização dos sonhos de quem  um dia quis ser alguém na vida.

4. Primeiro emprego.  Os números mais recentes apontam para uma taxa de desemprego na ordem dos 14,8%, valor sempre animador para uma população jovem que se pede (e alguns exigem) que seja empreendedora, inovadora e persistente. Não tenhamos a mais pequena dúvida quanto a quem vai safar isto um dia. Sou eu e os milhões de jovens por este país fora. Talvez herdaremos um fardo demasiado pesado de quem decidiu por nós enquanto éramos ainda ideias nas cabeças de quem nos trouxe ao mundo. Uma coisa eu posso garantir. Aqui, não é só a falar que a gente se entende. É urgente passar das palavras aos actos. Queremos incentivos, queremos apoios, queremos sentir que ainda vale a pena lutarmos por um país que aparenta nada nos vir a poder dar num futuro próximo. Ir para fora? Há de certeza quem nos queira. E se assim tiver que ser, então que peguemos o touro pelos cornos.

5. Sofrer para Vencer. Face ao retrato cinzento que acabo de descrever e que, de resto, não terá esboçado certamente grande sinal de estupefacção na cara de quem leu o que até aqui foi escrito, acredito ainda que o esforço, mais tarde ou mais cedo, trará os devidos resultados. Sem esquemas, sem mesquinhices, haveremos de levar por vencida uma batalha que, quando criada, não se afigurava como nossa. Mas afinal de contas, nada é nosso…até o ser.

Meio grau centígrado

Não me ocorre mais nada a dizer a não ser que “rapei um frio do caraças” em Évora. De resto, os picles permitiram soltar umas quantas gargalhadas e seria um acto de tremendo egoísmo da minha parte não atribuir particular relevo à séria conversa que tivemos os três sobre factores de eliminação a nível físico e pessoal. Sei que foi um momento de pura divagação da minha parte, mas ficou registado. Café agradável, lenha a queimar divinal. Até já Alentejo!

28-12-11