Nos teus braços

Tenho o mundo inteiro na mão
Quando penso que és o meu mundo.
Larga-me por um segundo
– Por um que seja, mesmo que breve! –
E eu garanto-te, prometo-te, juro-te
Que gritarás alto pelo meu perdão.

O quanto me perco em ti.

Olha-me, mas quando me olhares,
Fá-lo com a certeza de que é este o semblante
Por quem quererás sempre olhar.
Desvia a tua atenção por um instante
E eu garanto-te, prometo-te, juro-te
Que pedirás de novo o meu olhar.

Vale a minha vida pelo que me provocas.

O pulsar que ultrapassa todas as regras,
A respiração que se ouve sem reservas
E o sorriso que só tu sabes erguer.
– E que estupidamente genuíno este sorriso! –
Garante-me, promete-me, jura-me
Que nunca matarás este feitiço.

Peço-nos isto. Eu, tu e nós. Nunca esqueças.

Entrego-me carnalmente ao vício de ti.
Se puder viver, que seja nos teus braços.
Respirar pela tua pele quente onde conheci
O porquê mágico de querer Sonhar.
Garante-me, promete-me, jura-me
Que os nossos dias escutarão o verbo amar.

Eu amo-te. Sabes o que é amar?

08/02/15

Feito.

livro

Reproduzo nas próximas linhas, uma reconstituição aproximada daquilo que foram as palavras do meu discurso de apresentação do meu Livro «Palavras de um Sonho», no passado dia 17 de Janeiro.

“Creio que vivemos numa sociedade cada vez mais sedenta de manipulação do ser humano em prol dos seus próprios interesses, que nem sempre são os que maior realização pessoal e felicidade nos proporcionam.

Uma sociedade regida por padrões e que coloca a singularidade de cada ser à deriva num mar muitas vezes repleto de ideais materialistas, ideais que têm a ver com o alcance do difícil a fácil custo, sendo veículos que muitas das vezes nos levam a aceitar a nossa inferioridade humana em que, resignados com a nossa realidade, nos deixamos levar pelo trilho que essa sociedade traçou para nós e não aquele pelo qual tanto sonhámos.

Este livro pretende ser uma quebra com esta total resignação. Creio que o que há de maior na possibilidade de vivermos é podermos levantar-nos todos os dias, certos de que temos 24 horas pela frente, com o Sonho de podermos fazer algo por nós, e fazendo algo por nós, estaremos com certeza a fazer algo por alguém e pelo mundo onde os nossos pés caminham.

Eu, como todos vocês, tenho sonhos. E são esses mesmos sonhos que se escrevem neste livro. Sonhos que resultam de vivências que me trouxeram hoje até aqui, tal e qual, vocês me conhecem. E, também, Sonhos por mim vaticinados, nascidos em memórias fictícias durante o meu processo criativo.

Todos eles têm em comum uma dicotomia, uma ligação que eu diria perigosa. Sonhar permite-nos compreender quais os nossos anseios mais profundos. Mas tudo na vida acaba por conhecer o seu reverso. E, por vezes, devemos sonhar alto, sim, mas com pelo menos – eu diria – um pé na terra. É que é fácil para os sonhadores – e eu sou, de facto, um sonhador – deixarmo-nos voar pela emoção. No entanto, esta carne e osso, é também dotada de uma mente, de um lado racional que nos mostra o caminho mais seguro, mais livre de perigos, mais liberto de incertezas.

E é esta ligação entre a emoção e a razão, absolutamente fundamental para mim no meu processo criativo, que torna ainda mais bela e interessante a capacidade de Sonhar que todos nós temos.

Por outro lado, existem vários espectros ou géneros de Sonho. E haverá Sonho mais genuíno que o Amor? Bem, alguns me dirão que o Amor não é um Sonho, mas sim uma realidade. E estão certos. Mas eu também estou! O Amor pode ser analisado em diversos momentos: antes de se consumar a conquista, Sonhamos que a pessoa que amamos algum dia nos ame de igual maneira; consumada a conquista, Sonhamos poder passar todos os nossos momentos amando de verdade essa pessoa; uma vez terminado o Amor, Sonhamos que ele um dia nos possa conceder outra oportunidade ou, então, Sonhamos um dia vir a poder esquecê-lo para sempre.

Conclusão: o Amor é também um Sonho. Para mim, o maior de todos eles. Não conta só dizer que vencemos ou perdemos no Amor. Contam todos os momentos pelos quais batalhámos para que tudo conhecesse o final pelo qual Sonhámos.

Não só no Amor, como também em todos os campos da nossa vida, acredito plenamente que somos feitos pelo que queremos e não apenas pelo que conseguimos.

E eu quero conseguir.
E aqui estou hoje.
Consegui.”

Tiago

Sombras alheias

Arrisquemos sonhar.
Sonhar uma vida a dois
Que me ouse levar
Pela sinceridade de quem sois.

Que os contornos de um rosto
Por mim ainda desconhecidos
Sejam aqueles que ao sol-posto
Se revelam os merecidos.

Superemos a obsessão irracional
De nos lermos mutuamente.
E aprendamos que é a vivência carnal
O fruto de um sentir ardente.

Que os nossos olhos fitem
A sombra de um único ser.
E que fora de nós se limitem
A tudo poder satisfazer!

 

08/08/14

Viagem da Alma

Embarco numa viagem da Alma
Quando tudo aquilo que dei,
Que não foi menos que o que pude dar,
Se ancorou às ilusões de quem quis Sonhar.

Os ventos da mudança. Sempre eles.
Gritam-me lá do longe aqui tão perto
Para que chegue junto deles.
Para que não me perca no deserto.

Ah, como é bom viajar!
Desprender-me do que julgo ser
E sentir-me livre como o vento.

Já me senti livre como o vento.
Num tempo em que pensava
Que nem tudo é pensar.
Não sei já desse tempo.

É o coração uma espécie de intuição?
É a racionalidade um austero escudo?
Que é do meu tempo de Razão?

18/03/14

Suposições (Do que sou e sinto)

Em nenhum instante
Supus a sua existência.
Pelo menos que me lembre.
Minha inocência…

Não imagino
Como nunca imaginei
Que pudesse ser real.
Atracção quase fatal.

Nada esperei
Quando talvez o devesse.
Triste a memória.
Coração que a esquecesse…

Falsa sensação
De um sorriso conhecido.
Tida numa noite dormida.
Que nunca fora vivida.

Nada controlo
No que há fora de mim.
Minhas fortes suposições.
Nem sempre têm um fim…

Nada fiz,
Tudo apenas pensei.
Faço o meu caminho.
Incógnito o destino.

Uma ambição muda
Não faz a vitória.
Mas o Sonho, meu Ser,
Conhecerá a glória!

De uma forma imprevista. 
Quando e onde acontecer. 
Sob algum género de sorriso.
Isto são certezas.
       Espero.

27/12/13

Os anjos não têm asas

Os anjos não têm asas. Não voam. Os anjos caminham entre nós. Têm pensamentos e vontades próprias. Os anjos não têm rosto definido. Não ostentam nenhuma auréola que os identifique como praticantes do bem. Os anjos não têm nome. Posso ser eu. Podes ser tu. Os anjos existem realmente. Apenas diferem na forma como os idealizamos. Os anjos não são aqueles que vestem de branco. São todos quantos queiram Lisboaolhar por alguém antes de olharem por si. Os anjos têm alma. A luz que transmitem não é mais que o contentamento de quem esteve presente quando alguém precisou. Os anjos não ouvem gritos de aflição. Sentem a dor alheia no silêncio. Os anjos não agem em prol de um “obrigado”. Sentem-se agradecidos pelas oportunidades em que puderam estar junto de alguém em momentos especiais. Os anjos não têm idade. A sua sabedoria é alimentada por todos aqueles que em algum instante lhes tocaram. Os anjos não vêem um mau carácter por trás de um gesto ruim. Vêem um ser Humano que erra num dia menos bom. Os anjos não apontam o dedo quando não são suficientemente humildes para chamarem a si a culpa do falhanço. Reconhecem não ser perfeitos e sabem pedir desculpa. Os anjos não anseiam nada. A sua felicidade é a surpresa. Os anjos não são vozes supremas, escolhedoras de bonitas palavras em instantes de mágoa. Fazem de cada palavra uma ocasião para um gesto. Os anjos não são quem apenas sabe sorrir. Também eles provam o sentimento da traição e da perda. Os anjos não guardam ressentimentos. Fortalecem a sua personalidade com as memórias dos seus dissabores. Os anjos respiram o mesmo ar de todos nós. Todos podemos ser anjos, ainda que não o saibamos. Os anjos são raros, mas existem. Resta-nos saber encontrá-los.

21/11/13

Só termina no fim

Demorei. Demorei a compreender que o tempo é breve e se esvanece tão rapidamente, quanto mais lenta é a minha prontidão no agir. Demorei a entender que viver de olhos fechados é tão somente uma tentativa automática e desesperada de evitar o que é real e, acima disso, de ser eu próprio. Demorei a interiorizar o facto de uma porta se ter fechado em virtude de uma janela que, bem ou mal, foi deixada para trás, tão só e apenas porque assim o quis. Demorei a assumir que o legado por mim defendido – e que se consubstancia na ideia de que o Querer, só por si, consegue alcançar tudo a quanto se propõe – é profundamente errado e, mais que isso, não traduz, não raras vezes, quem sou ou quem quero ser. Demorei a pousar na terra e a reconhecer, sem qualquer vergonha de ter acreditado, que o Sonho é importante, que o Sonho alimenta a alma, que o Sonho é uma permanente e volúvel balança de sentimentos, mas – e apesar de toda a manifestação omnipresente da sua existência – o Sonho não dita felicidade. Demorei até abrir realmente os olhos e ver as coisas tal como são. Demorei a conhecer a penosa verdade que rege o Amor, em que ninguém é inteiramente de ninguém, ninguém pertence realmente ao mundo de ninguém, até porque, se assim o fosse, perder-se-ia a singularidade de cada um em detrimento de uma esperança de que duas partes tão distintas possam resultar em algo bom, num todo criador de felicidade. Demorei a ler que a vida não pára e que o meu percurso continua até que me escape o coração, a mente, a alma. Demorei a atingir a Verdade, mas consegui-o.

23/06/13

Ceguei

Há um lado utópico e outro um tanto ou nada negro nisto que apelidamos de sonhos. Em boa verdade, sempre acreditei no poder do Sonho. Não conheço nada mais puro e genuíno que esse ímpeto que me permite sair do mundo real e partir para uma outra Dimensão, mesmo que por breves instantes. Conto pelos dedos de uma mão as vezes em que, conscientemente ou sem aparente noção de o ter feito, permaneci mais tempo do que o saudável nessa outra Atmosfera. E agora que quero pisar a Terra, retornando à vida de todos nós que respiramos, sou impedido por uma força anti-gravítica que me quer continuar a ver no altar da ilusão e do falso sorriso. Mais que parecer não ter pernas para conseguir voltar, mais que parecer ter perdido o discernimento em lugar que não me lembro, nessa viagem em que a minha estadia se prolongou bastante mais na tela do tempo do que eu alguma vez previ ou quis, pareço ter ficado sem olhos para ver a real verdade dos factos. Onde estou, onde fiquei, não sei. Simplesmente não consigo ver. De tanto querer ver, ceguei. Se tudo eram incertezas, há algo que é indiscutivelmente a mais fria das veracidades. A culpa só a mim me diz respeito. Se sonhei, assim o quis. Ninguém me disse para o fazer. Felizmente – ou infelizmente, já não sei – ainda ninguém consegue sonhar por mim. Quando se quer alimentar o sonho de alguém, restam somente duas opções. Jogar todas as cartas na mesa, sob pena de poder perder ou ganhar. Ou, no extremo oposto, um segundo cenário, triste e pouco sincero, com algum sabor a punhal na Câmara do Sentir, que só poderá ter um final. E todos sabemos qual é.

Consigo agora ver aquilo que em tempo útil não consegui. Tarde demais.

Soneto Invertido

Fito-me. Fiel a mim mesmo.
O que não fui, nada o sou.
O pouco que tenho, tudo dou.

Pergunto-me. Fiz suficiente?Soneto Invertido
Sonhei. Como um louco.
Fui feliz, mas soube a pouco.

Vejo ao perto um novo ano.
E prestes a querer dar de si.
Sempre fora um mundano,
Quis sentir tudo o que vi.

Não tomo o tempo por inteiro.
Alimento-me pelo Momento.
As palavras não trazem dinheiro,
Mas levam-me ao sabor do vento.

01/01/13